Nova identidade

É com prazer que o Clube Ajuricaba apresenta sua nova identidade visual.

Uma criação de Thiago Motas Soares, nosso novo logo aborda temas de muita importância histórica e cultural para nossa região. Além disso, carrega todos os valores que o Clube quer disseminar.

Um desses valores é justamente o espírito empreendedor que a Era da Borracha representou para o estado do amazonas. Foi o boom tanto econômico quanto cultural dessa época que deu origem à tudo que temos hoje em nosso estado. É por isso a presença do teatro amazonas em nosso logo.

Se não fosse os ciclos da borracha, não existiria imigração de milhares de nordestinos para nosso estado, não existiria Zona Franca para manter esses mesmos imigrantes e, talvez, não estaríamos nem mesmo no mapa, sendo relegados a nós a condição de sermos parte apenas do grande estado do Pará.

Assim, sendo o simbolo do Estudantes Pela Liberdade uma árvore, nada melhor para representar o Clube Ajuricaba do que uma seringueira.

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Amazonas: como transformar nosso potencial em progresso?

O estado do Amazonas foi feito para dar certo. Contamos com abundância de água; vegetação e fauna exuberantes; paisagens espetaculares; sol;  terras continentais; alimentos; gás natural; petróleo; potássio; uma população sociável, alegre e pacífica; entre tantos outros elementos. No entanto, apesar de tanto potencial, por que nosso estado possui índices tão baixos de desenvolvimento humano e de produtividade econômica? Até quando dependeremos somente da Zona Franca? O que está faltando para darmos um salto no nosso desenvolvimento? Por que esse salto ainda não foi dado?

Apesar deste ser um tema complexo, gostaria de abordar quatro áreas: interior do estado, infraestrutura, impostos e burocracia. Dentro destas áreas, tento oferecer algumas respostas e soluções simples com potencial de impactar, positivamente, nosso estado.

 Interior

De maneira geral, um local deve procurar desenvolver atividades econômicas que levem em consideração os seus potenciais e vocações. Cidades geograficamente bem-localizadas, como Cingapura e Roterdã, desenvolveram atividades portuárias; cidades próximas de grandes centros universitários, como Boston e São Francisco, tornaram­-se cidades voltadas para tecnologia e serviços; já o Havaí, com suas belezas naturais, credenciou-se para ser um destino turístico; entre outros exemplos. Qual seria, portanto, a vocação para as nossas cidades do interior? Levando em conta o que elas têm a oferecer, a exploração moderada da nossa floresta e rios estaria, certamente, encabeçando esta lista de possibilidades. Agricultura; mineração; pesca; e caça e exploração de produtos amazônicos, como pau­rosa, juta, copaíba, castanha seriam alguns dos potenciais candidatos. Sendo esta a nossa vocação, como podemos concordar com leis rigorosas, especialmente no âmbito federal, que ignoraram a realidade amazônica e condenam o povo do interior a não ter outra opção de renda, exceto o sustento através do funcionalismo público e de programas de transferência de renda? Um dos maiores problemas das políticas que adotamos, segundo Samuel Benchimol, é que retiramos o homem da equação do desenvolvimento e da sustentabilidade. Penso que, primeiramente, devemos pensar nas pessoas, depois na floresta.

A política ambiental de maior sucesso é, sem dúvida nenhuma, o crescimento econômico, e a pior delas é a pobreza. Portanto, em primeiro lugar, é necessária uma economia próspera e produtiva para se conseguir implantar práticas ambientais em maior escala, como, por exemplo, o uso de motores mais eficientes e de instalação de painéis solares. Em segundo lugar, uma crescente classe média tende a demandar mais serviços ambientais, como parques, locais para caminhadas, lagos para pesca e esportes náuticos. Essa demanda é responsável pela preservação, aumento da quantidade e qualidade dessas áreas. O aumento da demanda por essas experiências tende a criar uma população mais preocupada com as boas práticas ambientais. A falta de bom senso e a ausência de análises de custo­-benefício na implantação de políticas voltadas à proteção ambiental tem, sem dúvidas, contribuído para a disparidade de renda e para a  baixa produtividade da população do interior do estado, quando comparada à população de Manaus.

Infraestrutura

No ano de 2013, o estado do Amazonas investiu cerca de 4 bilhões em infraestrutura. O valor do investimento não é pequeno, e, mesmo assim, sabemos que ainda há muito o que se fazer. No entanto, não só uma infraestrutura de baixa qualidade diminui a produtividade na nossa economia, condena nossos trabalhadores a baixos salários e afasta investimentos; mas, também, subtrai vidas nas perigosas estradas do estado. No ritmo em que vamos, demoraremos várias décadas para chegar ao nível de infraestrutura de países como os Estados Unidos. A pergunta é: queremos deixar o Estado como investidor absoluto nesta área, o que nos condenaria a esperar muito tempo, ou gostaríamos de acelerar esse processo?

Nós, brasileiros, estamos acostumados a pensar que mudanças só acontecem na geração seguinte. Infelizmente, com a lentidão do estado em agir, este pensamento condiz com a realidade. Entretanto, não há motivo para isto permanecer assim. Privatizações e concessões no âmbito estadual oferecem uma alternativa para acelerarmos nosso desenvolvimento. Contaremos com recursos vindos da iniciativa privada – os quais, hoje, não temos – para nos permitir ir mais rápido no rumo que desejamos. No Amazonas, muito pode ser privatizado: portos do interior, estradas estaduais, os três estádios construídos ou reformados para copa, a ponte sobre o rio Negro, a empresa de gás natural do estado, aeroportos, terminais, estações rodoviárias, entre outros. Atualmente, a maior parte dos ativos do estado não só não geram receita alguma, como também geram prejuízos e custos de manutenção. A privatização resolveria os dois problemas.

Os recursos provenientes das privatizações poderiam servir para, entre outras coisas, reduzir os tributos pagos pela população, muitas vezes usados para manter esses bens. Está na hora do estado do Amazonas focar seus recursos e a energia dos seus servidores em atividades que só ele possa desenvolver, deixando o resto para quem possui experiência, acesso à capital barato, habilidade de gestão e descompromisso com acordos políticos.

Zona Franca e Impostos

Tivemos sorte pelo fato do Governo Federal ter escolhido Manaus, através da legislação da Zona Franca, como a capital brasileira com a menor incidência de impostos no Brasil. Grande parte do desenvolvimento alcançado pela nossa indústria se deve à isenção de tributos. Sendo assim, creio ser importante entendermos as raízes do êxito de nossa indústria, a fim de, dessa forma, podermos aplicar os mesmos princípios para desenvolver outras áreas no nosso estado. Impostos baixos diminuem o preço dos produtos, geram mercados mais eficientes e, em última instância, transferem recursos que seriam gastos pelo estado para as mãos dos consumidores, que decidem o que fazer com tais recursos. Quem entende melhor as suas prioridades e gasta melhor o seu dinheiro: você ou o Estado?

É verdade que precisamos de tributos para financiar atividades, como o judiciário e a segurança, mas, certamente, há muita margem para redução dos impostos e aumento da liberdade individual dos amazonenses. O atual modelo do Polo Industrial da Manaus, concebido em 1967, parece estar esgotando sua capacidade de agregar valor ao PIB estadual. É hora de avaliar projetos alternativos e complementares, que utilizem as nossas próprias vocações. A indústria do turismo é um exemplo do que poderíamos explorar a partir de nossas gigantescas belezas naturais – com muito menos subsídios tributários. Além disso, o turismo é uma indústria com baixa regulamentação e pouca interferência direta do Estado. Possivelmente, não precisaríamos ir a Brasília pleitear isenções e teríamos mais controle sobre o nosso destino. Costa Rica, com o equivalente a 1/30 das florestas do Amazonas, atrai dois milhões e meio de turistas por ano. Dez vezes mais que o nosso estado.

Burocracia

A burocracia gera ineficiência, corrupção, redução de competitividade de nossa economia, fragilização de instituições e perda de tempo de pessoas e empresas. Junto com tudo isso, o grande número de pessoas necessárias para manter a burocracia custa caro para o Estado, sendo este custo repassado para os contribuintes na forma de mais impostos. Será que, como sociedade, queremos continuar alimentando este ciclo no Amazonas? Será que não poderíamos nos inspirar em países com alto grau de liberdade, como Austrália, Nova Zelândia e Cingapura, para reduzirmos a quantidade de leis e burocracia estatal? O sentimento que tenho é de que as pessoas vêem a burocracia estatal como um desperdício de recursos e um sistema que cresce completamente fora de controle – contra a vontade da população. O amazonense é um povo prático, acostumado com a liberdade da natureza, e que, de maneira geral, não gosta da interferência do governo na sua vida e em seu negócio. Como repetidamente dizia o presidente americano Ronald Reagan: ’O governo grande e a burocracia são os problemas, não a solução’’. Apesar de toda a reclamação durante vários anos sobre esse tema, poucos diriam que houve alguma melhoria. Precisamos de uma burocracia com melhor funcionamento e menor custo. Como fazer isto? É necessário começar pelo mais fácil. Desenvolver procedimentos para simplificar processos, eliminar regras redundantes e de difícil interpretação, disponibilizar tudo que for possível pela internet, reduzir o grande número de pessoas engajadas nestas tarefas e, por fim, votar em políticos que defendam a bandeira da redução do número de leis e compreendam o custo que elas representam para a sociedade.

Por fim, o Amazonas, sem a menor dúvida, tem o potencial para ir em frente, desenvolver-se e, quem sabe, tornar­-se o estado mais próspero do Brasil. No entanto, é necessário que o Estado pare de intervir com tanta veemência no tema ambiental, reduza os impostos, reduza a burocracia, venda ativos estatais e, finalmente, permita que a produtividade existente dentro de cada amazonense seja libertada em busca do seu próprio sucesso!

José Benchimol

Economista e empresário