A Alegoria da Caverna e a Máquina Política Atual

Por Bernardo Belota

 

“A parte que ignoramos é muito maior que tudo quanto sabemos.”-Platão

 

I-Introdução:

Primeiramente, se você é do tipo de pessoa que gosta de ver “O futuro repetir o Passado” ou gostaria de ver de uma outra perspectiva o atual contexto político e social brasileiro, você terá a oportunidade de dispor de uma leitura aprazível. A proposta deste é, a partir de uma comparação com o mito da caverna de Platão, questionar o quanto a sociedade e a política mudaram. Teriam elas se diferenciado tanto dos modelos do século IV a.C, onde a democracia grega vigorava? Isso é o que de uma forma conjunta, refletiremos.

 

  • Um breve comentário sobre o autor:

Platão (Arístocles) viveu durante o período clássico da Grécia Antiga (Séculos V a.C – IV a.C), mais precisamente durante os anos de 427 a.C a 347 a.C. Ele foi discípulo do filósofo Sócrates. É considerado um dos maiores pensadores de toda a filosofia. Sua principal ideia é baseada na dualidade de mundo, na qual existe o sensível, que pode ser compreendido pelos sentidos e é uma mera cópia de objetos reconhecidos pela alma. Existe também o inteligível, lugar de origem da alma (o conceito de alma não tem haver com qualquer sentido religioso ou espiritual, mas sim com o sentido de razão) e onde essa, tem conhecimento dos objetos os quais reconhece e visualiza no mundo sensível. Para Platão, os sentidos eram enganosos pois não davam qualquer precisão ao saber, dissemelhantemente da racionalidade. Com base nesse raciocínio, criou a alegoria da caverna em sua obra “A República“.

 

  • Um breve adendo sobre obra “A República”:

“A República”, escrita em dez livros, aborda a ideia de Estado Ideal para Platão, a Sofocracia. Para compreendermos a Cidade Ideal de Platão, precisamos entender que, para que esse modelo funcione perfeitamente, é necessário que todos que ela compõem façam seus devidos trabalhos. Para isso ser possível, ele (Platão) divide a sociedade em três classes: a primeira delas seria a de artesãos, que seriam responsabilizadas pela produção de bens materiais; a segunda seria a de guerreiros, responsáveis pela defesa dessa cidade contra possíveis males; a última classe a dos filósofos, que deveriam dirigir a cidade e zelar pela obediência das leis (Uma vez que apenas os que têm o conhecimento podem governar, para impedir que a incompetência e a corrupção tomassem o poder público). Esta divisão estaria embasada em suas aptidões. Platão, em “A República”, ainda compara a sociedade ao modelo anatômico do corpo humano, no qual como a cabeça governa todo o corpo, os filósofos, aqueles dotados da razão, deveriam liderar a cidade. Já aqueles que eram dotados da cólera, a qual Platão associava ao peito, seriam os guerreiros, os corajosos, que são responsáveis pela manutenção da paz. O terceiro grupo, guiados pelo desejo, que no corpo estariam representados pela região inferior do ventre, este grupo, os artesãos, deveriam controlar seus desejos para atingir a temperança, moderação, para tal feito, seria necessário canalizar seus desejos nas atividades de seus trabalhos.

Nesta obra, é possível perceber uma fragmentação da alma (com conceito racional) em: 

Logistikón, a faculdade racional, responsável pelos cálculos e pela lógica do raciocínio; 

Thymólides, onde habita a cólera e o lado impulsivo, responsável pela intensidade dos sentimentos, fazendo eles prevalecerem e é responsável também pelo furor e a veemência.

Epithymetikón, é o lado ambicioso, concupiscente, responsável pelos desejos.

Para a sociedade funcionar de maneira ideal, ainda era necessário que todas essas classes fossem felizes em uma mesma intensidade. Para que isso fosse possível deveria haver justiça, para tal, deveríamos retomar as coisas do marco zero. Para o filósofo, as famílias deveriam deixar de existir. Quando as crianças nascessem, elas deveriam ser deixadas por suas mãe e passariam a ser educadas pela cidade. Para ele, inibindo esses laços familiares, inibiria também o egoísmo e não as deixaria alheias aos maus hábitos.

A educação pelo Estado deveria ser feita a partir do seguinte critério: até os dez anos, as crianças receberiam educação quase que somente física; após os dezesseis, a música ficaria responsável por educar o espírito; quando atingissem os vinte anos, se submeteriam a um teste teórico-prático, que seria responsável pela divisão de classes. Os que não passassem seriam designados a classe dos artesãos. Aqueles que passassem, receberiam mais dez alunos até se submeterem a um novo teste. Para os aprovados nessa segunda fase, seria permitido a esses, que estudassem a filosofia e se dedicassem a estudar o mundo inteligível.

 

  • Contexto histórico da época:

A Grécia estava em seu Período Clássico, período o qual foi marcado por diversas invasões e conflitos que transformaram a Grécia em um verdadeiro campo de batalha. Embora tenham ocorrido esses conflitos, o Período Clássico é marcado como o auge da civilização grega. Nele, ocorreu a transformação do sistema político-administrativo de Atenas assim como o espalhamento do mesmo para outras cidades-estado. Houve as Guerras Médicas de 490 a.C  até 479 a.C, nesse conflito, os Persas tentaram invadir a Grécia a partir da dominação de colônias asiáticasTendo o conhecimento do território das penínsulas dos Balcãs, derrotaram os persas. Esse conflito incentivou a aliança de várias pólis gregas, como a Liga de Delos. 

Nesse período, é notável o governo de Péricles, ele foi responsável pelo desenvolvimento da Democracia ateniense e a criação de grandes números de obras públicas. Com a soberania de Atenas e sua ofensiva contra as outras cidades-estado, logo se criou, sob o comando dos espartanos, a Liga do Peloponeso. Assim, com o combate entre as ligas, a de liderança Ateniense contra a de Espartana, deu origem a Guerra do Peloponeso.

II- A Alegoria da Caverna:

No sétimo livro de “A República“, se apresenta um dos textos de filosofia mais debatidos do mundo o “Mito da Caverna“, que demonstra uma relação entre a sociedade e o conhecimento. Com ele, Platão explica a existência de dois mundos (Já mencionados anteriormente).

 

  • O mito:

O mito se passa em uma “morada subterrânea” no formato de uma caverna. Nessa caverna habitam homens, os quais  estão presos desde a infância, acorrentados pelo pescoço e pelas pernas, de tal forma que não podem mudar de lugar nem mexer suas cabeças para visualizar alguma coisa que não esteja na frente deles. Toda a fachada da caverna está aberta para a luz. Porém, a luz que chega a eles vem de uma fogueira situada mais distante, no alto. Entre os prisioneiros e o fogo, há um corredor cortado por uma mureta. Por esse caminho, passam pessoas com diversos tipos de objetos, alguns em formas de animais, outros em formas humanas e figuras de madeiras, pedras, além de outros materiais. Entre essas pessoas que passam pelo trajeto, algumas mantêm conversas. Tendo em vista que tudo o que conseguiam contemplar, ou seja, que seus sentidos captavam, era um conjunto de sombras e algumas vozes, eles acreditavam que aquilo era a única realidade. Glauco, interlocutor de Sócrates, após ter tido certeza de que os presos aceitaram apenas aquilo como verdadeiro, escuta a suposição de Sócrates afirmando que se um deles repentinamente se rebelasse e conseguisse escapar da caverna, em um primeiro momento se sentiria atordoado pelas luzes solares, porém gradualmente conseguiria progredir, visualizando não mais apenas as sombras mas as formas a partir do reflexo da água. Após ter se adaptado, poderia finalmente enxergar com seus próprios olhos a beleza do universo e definir as formas que o cercam. Quando, enfim contemplasse o sol, se sentiria na obrigação de compartilhar com os amigos sua inacreditável descoberta, a de que existiam muitas outras coisas além daquelas meras sombras. Contudo, esses não  o ouviriam, ele seria chamado de tolo e o intimidariam fazendo ameaças de morte.

 

  • Interpretação do mito aplicada ao contexto atual:

 

A Alegoria da caverna, vista acima, demonstra o estado de ignorância da maior parte da sociedade. Representada pelos prisioneiros, ela é enganada por pessoas que lhes mostram tudo o que conseguem ver, essas pessoas que passam pelo corredor, podem ser interpretadas por mídias, redes sociais e  todas as fontes de informação que podem ser influenciadas e fazem abordagens de forma superficial. As sombras podem ser entendidas pelas informações manipuladas. As correntes que aprisionam as pessoas seriam de forma alegórica, o comodismo e o desinteresse por buscar maiores saberes. Podemos analisar também o prisioneiro que se rebela como um intelectual que foge das condições aprisionadoras das “correntes” e busca por conhecimento. No mito é citado a seguinte colocação: 

“[…] se um deles repentinamente se rebelasse e conseguisse escapar da caverna, em um primeiro momento se sentiria atordoado pelas luzes solares, porém gradualmente conseguiria progredir, visualizando não mais apenas as sombras mas as formas a partir do reflexo da água. Após ter se adaptado, poderia finalmente enxergar com seus próprios olhos a beleza do universo…

Esse trecho alegórico pode ser compreendido como: um indivíduo que saísse de uma total alienação, e tivesse um incipiente contato com o conhecer verdadeiro, isso o incomodaria a princípio, porém com o tempo tentando entender melhor as coisas que o rodeiam, utilizaria do “reflexo da água”, ou seja, da interpretação e obras de outras pessoas, mais fundamentadas e mais sábias do que ele. De forma gradativa, aprendendo com essas pessoas mais experientes e que possuem sua própria análise do mundo real, poderia começar a fazê-las sozinho, assim como suas próprias obras abordando seu novo universo, o que é representado por: 

“[…] Após ter se adaptado, poderia finalmente enxergar com seus próprios olhos a beleza do universo…”

Após ter descoberto as maravilhas da realidade e superado seu estágio de estupidez, tenta alertar as pessoas em que convive para que possam compreender tudo a sua volta de maneira correta e assim contribuir para um todo. Porém, as pessoas as quais ele alerta, por estarem tão firmadas nas bases de uma realidade ilusória, não conseguem enxergar o quão grande e vasto as coisas podem ser e não compreendem a dimensão da vagueza na qual eles se firmam. 

“[…] Quando, enfim contemplasse o sol, se sentiria na obrigação de compartilhar com os amigos sua inacreditável descoberta, a de que existiam muitas outras coisas além daquelas meras sombras. Contudo, esses não  o ouviriam, ele seria chamado de tolo e o intimidariam fazendo ameaças de morte....”

Isso tudo que foi apresentado, ainda pode ser compreendido como, um sistema político que a partir de meios de divulgação de conhecimento manipulado, convencem os alienados (uma grande parcela da nossa sociedade) de que tudo aquilo que lhes é mostrado é verídico (se mostrando sofistas, sem qualquer compromisso com a veracidade dos fatos mas sim em atingir a massa popular), enquanto estão aprisionados por benefícios públicos muitas vezes camuflados por questões humanitárias e anti-discriminatórias e por conta desses benefícios gerarem um comodismo, de tal forma que, só conseguem enxergar a verdade que lhes é mostrada, por tanto, incapazes de conhecer por si mesmos. Até o momento que uma pequena minoria desse coletivo começaria a se questionar e a desejar aprender mais, se rebelando contra tudo isso e passando a ampliar seus conhecimentos. Inicialmente aprendendo por meio de pessoas mais fundamentadas e gradativamente, esse pequeno grupo começa a produzir ideias e conhecimentos próprios. Quando finalmente eles conhecerem e forem capazes de observar as coisas a partir das suas respectivas perspectivas do universo, buscarão informar os outros, mas esses, não quererão sob condição alguma, largar seus benefícios e o comodismo por eles gerado.

 

III-Conclusão:

 

Contudo, mesmo que o filósofo apresentado não seja muito bem visto no campo liberal/libertário – uma vez que expressa quase que de forma explícita alguns resquícios de coletivismo na sua teoria de organização social e política, apresentados de forma quase que conjunta, uma vez que todos os indivíduos têm que buscar, não a felicidade própria mas a felicidade da “República”, a qual é governada por um Rei Filósofo que escolhe o que cada pessoas deve fazer dentro da sociedade, anulando por completo a liberdade individual – podemos afirmar que o contexto do período clássico grego não possui tantas diferenças dos modelos atuais, uma vez que nosso setor político, assim como na época, se preocupa mais em atingir as massas populares do que com a veracidade dos fatos. E além disso, somos tão manipulados quanto os prisioneiros do mito supracitado o qual serviu de crítica a seu modelo político contemporâneo, temos também a mesma carência quanto ao conhecimento. Denota-se desta maneira, um prático comparativo entre períodos e uma possibilidade de refletir sobre nossa postura.

Resenha: Os três episódios que todo liberal deveria assistir – Rick and Morty

Por Alexandre Neves Solórzano

Rick and Morty é uma das séries animadas mais inteligentes já criadas, tendo como característica central um humor ácido e referências diversas à cultura pop norte-americana. Piadas de teor político e, até mesmo, brincadeiras envolvendo o presidente dos Estados Unidos são encontradas no desenho animado, que funcionam como um atrativo para todos aqueles que se interessam por política, história e uma boa trama.

Como resumo básico, Rick and Morty se baseia numa família tradicional estadunidense, em que Rick (avô) e Morty (seu neto) vivem aventuras por volta de todo o universo. Isso se dá porque Rick é um cientista extremamente criativo e inteligente, o que o possibilitou a criação de uma arma de teletransporte, que pode ser usada para viajar a dimensões diferentes e, inclusive, planetas extremamente distantes da Terra.

Segue abaixo uma seleção de episódios que podem interessar o público liberal, onde uma boa piada de teor político ou ironias engraçadas podem ser o principal atrativo. Não deixem de conferir a série depois de ler a resenha!

 

1 – Piloto (1 x 1)

Na introdução do seriado animado cria-se a noção da perspectiva niilista da personagem principal Rick Sanchez, avô do também protagonista Morty Smith, que acompanha seu neto em diversas aventuras intergalácticas. Dentro do ideológico comportamento individualista de Rick há-se críticas severas ao Estado e às práticas morais vigentes em sua atualidade. No episódio em questão, Rick e Morty estão em mais uma aventura comum, desta vez em busca de sementes raras, sendo estas próprias de um planeta específico. Após certas complicações envolvendo a arma de teletransporte de Rick, é necessário que Morty, sem mais nem menos, introduza as sementes no ânus, para que eles possam passar pela alfândega. Dando o plano errado, Morty e Rick iniciam uma fuga em direção à saída do planeta. Na reta final, Rick pede para que Morty atire nos guardas extraterrestres, alegando que eram, apenas, robôs. Morty inicia os disparos, vê o desespero dos baleados e de seus companheiros e constata: são seres vivos. Rick, surpreendendo-se com a surpresa de Morty, diz: são burocratas, Morty, a mesma coisa. Quem não se lembraria de Ayn Rand vendo uma coisa dessas? O início da obra evidencia fortemente uma postura libertária por parte do velho cientista, não necessariamente para a esquerda ou para a direita, mas tendo em vista a postura antiestatal da personagem.

 

2 – Close Rick-counters of the Rick kind (1 x 10)

Nessa ocasião, uma irônica organização social é demonstrada: uma sociedade composta apenas por Ricks e Mortys, onde os primeiros dominam os segundos, numa espécie de segregação clara e imposta pela superioridade intelectual dos Ricks. O episódio é uma cômica referência a todos os governos e suas respectivas culturas, em que neles habitam o egocentrismo, a manipulação e, principalmente, o autoritarismo. O “verdadeiro Rick”, da dimensão C-137, não deixa de possuir cada uma das características dos governantes da cidadela, mas é latente a sua veia antiestablishment, que usufrui da liberdade para derrubar governos pela galáxia a fora. O Episódio é essencial para aqueles que se interessam por política e é um vetor para uma das principais tramas da séria.

3 – The Ricklantis Mixup (3 x 7)

Sendo essa, sem dúvida, a parte mais aclamada da série, tal episódio traz consigo uma reunião de diversos temas num mesmo plano: pode-se enxergar George Orwell, aludindo à obra 1984, a trilogia Matrix ou a própria Escola de Frankfurt, com seus teóricos Adorno e Horkheim falando sobre a teoria da Indústria Cultural. O capítulo traz de volta a cidadela dos Ricks, dessa vez aprofundando bastante na realidade que cada cidadão acaba por passar. A verdade é que a desigualdade entre Ricks e Mortys parece estar chegando ao fim, por meio de uma personagem que, para não dar spoilers, não direi o nome por aqui: essa personagem está concorrendo à presidência da cidadela, e utiliza do discurso populista para alcançar o poder. Te lembra alguma coisa?

Nessa levada, conseguimos ver como a sociedade dos Ricks e Mortys é repleta de corrupção e manipulação, onde o Estado junto aos grandes empresários utilizam seus poderes para ruir os direitos de ambas as partes, tanto de Ricks quanto de Mortys. Isso acaba por dizer que, mesmo sendo os Ricks superiores aos Mortys no quesito da hierarquia, ambos sofrem com o autoritarismo e a alienação estatal, e o novo presidente ainda pode piorar as coisas, tendo um caráter que faz lembrar um pouco os déspotas da nossa vida real e cotidiana.

Não deixem de conferir a série, que pode ser vista na Netflix (primeira e segunda temporadas) e no YouTube. Dificilmente alguém não gostaria dessa animação envolvendo política, referências à cultura pop e uma boa dose de filosofia que ainda deverá ser tratada numa futura resenha.  

Resenha: Monumento às vítimas do comunismo – Praga e suas obras anticomunistas

Por Alexandre Neves Solórzano

 

O Comunismo, como todos aqueles que acompanham as atividades do Clube Ajuricaba já sabem, devastou partes do continente europeu de uma forma que respinga até os dias atuais. Pode ser visto nos países que ficam ao leste da Europa, por exemplo, uma maior incidência de pobreza e atraso no que tange a economia e o próprio IDH do país. Na Tchecoslováquia não fora diferente. Quando o Partido Comunista venceu as eleições parlamentares no país em 1946, muitos já suspeitavam do provável dano que tal acontecido poderia vir a causar. E em 1948, não para uma surpresa tão grande, houve um golpe e os comunistas tomaram o poder total na Tchecoslováquia.

Os quase cinquenta anos de domínio comunista na região europeia contaram com expulsões de liberais e invasões de países da URSS que contemplavam o Pacto de Varsóvia: o governante Alexander Dubcek, que buscava dar uma abertura econômica no país, foi imediatamente deposto no final dos anos de 1960 e todos os seus apoiadores exilados após a entrada de Gustáv Husák, que se tornou líder do Partido Comunista e fez questão de tal ação. Ou seja, desde os primórdios do período da pós-II Guerra Mundial a cidade de Praga, assim como o que hoje é a Eslováquia e a República Checa, não teve um século XX recheado dos benefícios sociais apresentados pela liberdade.

Por consequência lógica, o salto temporal do fim do período comunista do país até os dias atuais ressaltam uma Praga exacerbadamente anticomunista, contando com a existência de obras de artes que não dispensam a visita dos turistas. Além do gigante dedo do meio roxo direcionado ao Castelo de Praga, no meio do Rio Moldava, e das gigantes nádegas em que você pode pôr a cabeça e assistir políticos do século XX comendo ao som de “We Are The Champions”, da banda inglesa Queen, há também uma das esculturas mais marcantes de toda a Europa: o monumento que retrata as vítimas do comunismo foi inaugurado no dia 22 de março de 2002, pelo artista Olbram Zolbek, e choca até os dias atuais.

As estátuas representam indivíduos caminhando com uma aparência ofegante, estão macérrimos e demonstram uma constante decomposição. A crítica central recai sobre como a ideologia comunista tende a deteriorar o caráter humano e, também, destruir fisicamente toda uma população. Basta compararmos tudo isso ao que conhecemos atualmente na Venezuela, na Coréia do Norte ou em outras nações praticantes de vertentes socialistas. A obra choca não somente pela aparência das esculturas, mas principalmente pela carga histórica depositada na criação. Olbram, autor da obra, dedicou sua produção à todas as vítimas do comunismo e à todos aqueles que amam a liberdade. O artista, que nasceu em 1926, pode presenciar bem o que fora a destruição comunista em seu país, o que impediria qualquer inclinação sua ao lado mais à esquerda do espectro político, diferentemente de grande parte dos artistas que nunca presenciaram um regime socialista ou foram censurados pelo mesmo. Vale ressaltar que a decomposição retratada é representada por estátuas realmente pela metade, onde vemos um indivíduo sem metade de cima do corpo, com um buraco aberto no peito ou com pequenos furos ao longo do corpo.

É pela noite que o cenário torna-se mais amedrontador e nostálgico, que quando recheado pela neve remonta, talvez, cenas comuns de pobres trabalhadores corroendo-se com o frio da região, acompanhados pela precária situação econômica do país e a repressão do governo comunista. O monumento encontra-se numa escada em meio a uma ambiente florestal, e nele consta uma placa explicativa: 205,486 prisões, 170,938 exilados, 4,500 mortos nas prisões, 327 abatidos enquanto tentavam fugir, 248 executados. Além dos dados apresentados, na placa há a seguinte frase: “Este memorial é dedicado a todas as vítimas: não apenas aos que foram emprisionados e perderam a vida, mas também aos que viram a sua existência arruinada pelo despotismo totalitarista”.

Hoje Praga goza de obras de arte demasiadamente interessantes àqueles que são contrários à ideologia comunista, e vale a pena estudar sobre tais obras para poder compartilhar um pouco mais dos sentimentos de outros adoradores da liberdade de expressão e econômica. Hoje, a República Checa pode se mostrar como uma das nações mais desenvolvidas do período pós-comunista. Com um IDH invejável até para aqueles que não tiveram uma ditadura sanguinária em sua história, o país cresce cada vez mais com o turismo, tendo a cidade de Praga, país em que residem grandes obras de arte do período gótico e barroco, assim como as citadas por aqui, o foco central da procura turística.

Feliz aniversário, Ludwig von Mises

Por Roberto Alves Neto

Uma singela homenagem a Ludwig Heinrich Edler von Mises que no dia 29/09/2017  comemorou seu 136° aniversário.

Mises foi um dos fundadores da Escola Austríaca de Economia, em suas obras, aulas e palestras sempre foi um defensor fervoroso do capitalismo de livre mercado, para ele políticas intervencionistas, controles de preços e inflação (expansão da base monetária) era o caminho perfeito para a miséria e escassez.

Ação Humana:

Ação Humana foi com certeza a sua principal obra, onde através da praxeologia (ciência da ação) Mises busca provar que os seres humanos agem em busca de atingir um grau de satisfação maior do que ele se encontrava antes de iniciar sua ação, assim cada pessoa existe uma ‘escala’ de necessidades o que faz elas atribuírem diferentes valores as mesas coisas dependendo de sua necessidade, um sanduíche vale mais para você quando você está com fome do que quando está satisfeito.

Liberdade Econômica:

Para Mises a liberdade econômica está diretamente ligada a qualquer outra liberdade: “Nada há na natureza que possa ser chamado de liberdade; há apenas a regularidade das leis naturais, a que o homem é obrigado a obedecer para alcançar qualquer coisa”[1]. Esse trecho merece destaque pois há pessoas que afirmam que o capitalista dá mais valor à liberdade econômica do que as outras liberdades, porem esquecem que o dinheiro não é o objetivo final e sim o meio para obter os bens necessários.

Mentalidade Anticapitalista:

Outra obra importante que merece destaque nessa homenagem é A Mentalidade Anticapitalista, nessa obra ele apresenta os principais pontos que levam a pessoas a achar o capitalismo injusto. Uma crítica que ele ataca e que é usada até hoje é afirmar que o empresário reina sobre as pessoas, as escraviza e as força a viver apenas com o necessário, contudo Mises responde: “O sistema de lucro torna prósperos aqueles que foram bem-sucedidos em atender as necessidades das pessoas, da maneira melhor e mais barata possível”[2], “Os empresários e capitalistas devem sua fortuna às pessoas que, enquanto fregueses, sustentam os seus negócios. Eles a perdem, inevitavelmente, assim que outras pessoas os superam num atendimento aos consumidores de forma melhor e mais barata”[3].

 

Considerações finais:

Durante muito tempo as obras de Mises foram esquecidas, nossa sociedade ocidental já acostumada com aquilo que o capitalismo nos proporcionou achava tudo isso normal e esqueceu como defendê-lo, enquanto aqueles que o odiavam simplesmente aproveitaram para ignorar sua linha de pensamento. Assim tornou-se fácil ‘converter’ as pessoas, mostrá-las como o capitalismo é injusto e predatório e como ele está fadado a crises.

Contudo suas obras ainda vivem e em meio a dificuldades e incertezas as pessoas passaram a buscar entender o outro lado assim se deparando com obras e autores tão importantes quanto foi Ludwig von Mises.

 

“Ideias e somente ideias podem iluminar a escuridão. ” – Ludwig von Mises

Referências:

[1]As seis lições, pagina, página 24.

[2]A Mentalidade Anticapitalista, página 13.

[3]A Mentalidade Anticapitalista, página 16.