“Índia Lua”, de Antônio Pereira – uma alusão à imagem feminina da história indígena

Antônio Pereira em interpretação de “Índia Lua”.

 

Por Alexandre Neves Solórzano

A música popular amazonense traz consigo artistas dos mais variados gêneros e estilos musicais, sem o necessário enfoque às tradições da nossa cultura ou nossa história repleta de detalhes memoráveis e que valem a pena serem contados. Antônio Pereira é um dos artistas mais conhecidos da região norte do país, principalmente pela sua inconfundível voz e presença na cena musical de Manaus, sendo reconhecido pelo meio universitário desde os anos 1980, quando iniciou sua carreira musical. Dentre suas diversas canções que fazem alusão à cultura amazonense, “Índia Lua”, do álbum “Afluentes” (2007), é a que relata em forma de carta, ou quase isso, a perspectiva de uma mulher indígena que sente o choque da invasão europeia nas terras brasileiras.

“Dizem que tua gente se perdeu no clarão do dia, que uma nuvem escureceu […]” é o verso que abre a poesia direcionada à imagem personificada da alma feminina da história indígena, que observa sua cultura sendo roubada ou findada, de certa forma. O restante dos versos evidenciam uma espécie de constância na presença indígena sobre a persistência das matas, como se houvesse um elo entre lar e morador. Afinal, ainda há ali o “pranto lunar” da índia, que retorna com a lua, o que pode sugerir a eternização da mata como casa do povo nativo, como algo que fora roubado fisicamente séculos atrás, e não em espírito, não de forma definitiva:

“Muito acima dos verdes lençóis dessas matas
teus olhos vigiam sem cessar.
E estas matas guardam teus segredos,
índia, minha irmã.
Guardam teus segredos, minha irmã.
Teu pranto é lunar, teu olhar lunar,
Teu pranto é lunar, teu olhar lunar.”

A canção possui uma melodia calma, que pode levar o ouvinte a refletir sobre o que está sendo dito, além de conseguir surtir o interesse em estudar um pouco mais a cultura amazonense e, obviamente, em buscar os variados artistas que são do Norte e produzem arte de conteúdo invejável. Não deixem de conferir a canção “Índia Lua”, de Antônio Pereira, compositor que possui um repertório espetacular, canções autorais que retratam diversas questões existenciais e que possui habilidades poéticas diversas. Boa apreciação!

Link da canção no YouTube: https://youtu.be/N-lMY7hUpTo

 

Alexandre Neves é diretor de comunicações do Ajuricaba, aluno da UFAM e criador do projeto Versos de Cascavel.

Braga contra a privatização? Entenda o real motivo.

INSTITUTO AJURICABA
Artur Fonseca | 11 de Fevereiro de 2018

Na última quinta (08) a assembleia geral de acionistas da Eletrobrás aprovou a privatização das seis distribuidoras de energia no Norte e Nordeste do país. A intenção da empresa é leiloar as distribuidoras até o dia 30 de abril. Cada uma delas terá valor simbólico de 50 mil reais.

As distribuidoras pertenciam a governos estaduais, mas foram assumidas pela Eletrobrás no fim da década de 1990. A intenção era privatizá-las em seguida, mas elas ficaram quase 20 anos nas mãos da estatal. Nesse período, elas geraram prejuízo de mais de 20 bilhões de reais.

Ex-ministro de Minas e Energia (MME) do governo Dilma, o senador  Eduardo Braga postou em suas redes sociais um texto onde se posicionava contra a privatização da Eletrobrás:

Privatizar significa um grande risco, principalmente para o povo do interior do nosso estado. Não vou deixar de lutar contra isso!” escreveu o senador, logo acima de uma imagem apelativa de funcionários da Amazonas Energia carregando um poste de luz com água até a cintura.

Post na página oficial do senador no Facebook, logo acima dos comentários de assessores.

Entretanto, o que Braga não disse em seu texto é que ele próprio é um dos maiores responsáveis pelo caos financeiro que tomou conta da estatal de energia. Responsável pelo MME entre Janeiro de 2015 e Abril de 2016, Braga transformou o já pequeno lucro trimestral da Eletrobrás e o transformou em um déficit bilionário.

Só na Amazonas Energia, a divida repassada aos consumidores foi de mais de R$ 9 bilhões e no Piauí, cujo governo entrou no STF para barrar a privatização da distribuidora local, o prejuízo beira os R$ 3 bilhões, além da situação financeira da subsidiária ser tão precária a ponto de não interessar potenciais compradores.

Ávido para agradar sua base eleitoral, Braga gastou dinheiro da estatal com vários projetos populistas que só aumentaram o déficit da empresa, além de ter sido denunciado pelo senador Ronaldo Caiado (DEM) de fazer “negociatas” em operações do ministério em Goiás.

Portanto, a privatização de estatais como a Eletrobrás será um alívio tanto nas contas públicas quanto para os serviços prestados aos consumidores, que sofrem com uma estatal usada há décadas como cabide de emprego e corrupção generalizada.

Políticos tradicionais estão desesperados com o pacote de privatizações do governo Temer justamente porque ele mexe com gigantescas fontes de ativos financeiros ilegais e eleitorais. Deputados e senadores que loteiam estatais há décadas terão agora que se virar para arrumar outras negociatas para se manter no poder. Ou seja, a privatização beneficia a todos, menos os políticos. E é exatamente por isso que devemos defende-la.

Artur Fonseca foi coordenador regional do Students for Liberty Brasil (SFLB) e atualmente preside o Instituto Ajuricaba.

O Estado quer controlar até o seu WhatsApp – PLC 347/2016

INSTITUTO AJURICABA
Caio Gibbs | 09 de Fevereiro de 2018 | Política

Nesta quarta-feira (07) foi aprovado pela Comissão de Constituição, Justiça (CCJ) do Senado um projeto de caráter intervencionista que, sem qualquer respeito pela propriedade privada, objetiva a regulação sobre grupos de redes sociais (Whatsapp, Telegram, Facebook, etc).

O PLS 347/2016, de autoria da senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) altera o Marco Civil da Internet (Lei nº 12.965/2014), determinando que os usuários das redes sociais sejam consultados antes de serem incluídos em grupos, cadastros e afins.

 “Art.11-A. Nas aplicações de redes ou mídias sociais, ficam condicionadas ao prévio consentimento do titular dos dados:

I – a inscrição, o cadastramento ou a criação de contas;

II – a inclusão em rede ou mídia social, bem como em seus respectivos grupos, páginas, comunidades e similares;

III – o encaminhamento de convite, em nome do titular dos dados, para participação em rede ou mídia social”.

A princípio este projeto parece ser apenas mais um devaneio de uma mentalidade estatista, além de uma medida sem qualquer utilidade, afinal, não cabe ao estado definir como as empresas privadas provedoras de aplicações de redes e mídias sociais devem se relacionar com seus usuários.

No entanto, propostas como essa avançando no senado revelam a perigosa mentalidade totalitária que prevalece na política brasileira. A intervenção estatal nos campos mais íntimos da vida privada, o vil desprezo a propriedade e o paternalismo exacerbado são combustíveis para a tirania do Estado e devem ser incansavelmente combatidos.

 O Estatismo é perigoso, destrói a liberdade e, uma vez estabelecido, é extremamente difícil de eliminar.

 

Caio Gibbs é membro da Diretoria do Instituto Ajuricaba e acadêmico da Universidade do Estado do Amazonas.

Instituto Ajuricaba e a gestão 2018-2020

 

 

 

 

 

 

 

  Por Alexandre Neves Solórzano

  O ano de 2018 começou com uma atmosfera de reestruturação na ala administrativa do agora Instituto Ajuricaba, que teve sua sétima assembleia iniciada no dia 3 de fevereiro às 15 horas em ponto e findada às 18h30. A chapa presidencial eleita pelos presentes na assembleia foi a que trazia Artur Fonseca como presidente e Paulo Alberto integrando a posição de vice. O restante da diretoria irá incluir os nomes Alexandre Nascimento, Erica Priscilla, Erick Farley, Eduardo Gibbs, Vivianne Santos e Alexandre Neves Solórzano, que ajudarão, pelos próximos dois anos, a executar e criar projetos pelo Instituto Ajuricaba em nome da liberdade dentro do estado do Amazonas.

  Os selecionados por voto para ocupar as vagas dentro do Conselho de Ética do IAju foram: Haslley Queiroz, Alex Chang, Júlio Lins, Erick Farley e João Pedro Lauand. Já no Conselho Fiscal têm-se os nomes Gabriel Mendes, Erica Priscilla e o antigo tesoureiro e também fundador Renato Augusto.

  O ano de 2018 promete ser o início de projetos ricos para o ideal do Instituto Ajuricaba, assim como será um ano de testes com relação às mudanças ocasionadas pela aplicação de um novo estatuto que, dentre uma de suas mudanças, aumenta um ano no mandato da gestão eleita, totalizando, então, dois anos de atuação.

  O Instituto Ajuricaba celebra sua nova etapa e torce para que os parceiros do Brasil e do mundo possam plantar e colher frutos positivos de suas ações em prol da liberdade.

 

Renato Augusto e Erica Priscilla
Paulo Alberto e Artur Fonseca
Da esquerda para a direita: Haslley Queiroz, Alex Chang, Júlio Lins, Erick Farley e João Pedro Lauand

Resenha: “The Logical Song” (Supertramp) e o sistema educacional inquisidor

Por João Pedro Lauand

 

O período entre os meses de novembro a meados de fevereiro são normalmente marcados no calendário acadêmico das universidades brasileiras pela realização de vestibulares e pela divulgação dos aprovados nos mesmos. Entre aqueles que são estudantes dos ensinos médio ou superior ou que são adultos graduados que prestam exames somente para averiguarem seus conhecimentos ou para avaliarem os exames em si, críticas relacionadas ao método de avaliação de tais vestibulares, e até mesmo ao próprio sistema educacional brasileiro não são incomuns.

Não são incomuns pelo fato de a estrutura do ensino público brasileiro se basear em um modelo essencialmente conteudista, ou seja, um que preza não pelo ensino personalizado baseado nas preferências de cada aluno e pelo ensino de conhecimentos práticos da vida em sociedade (aqui podemos citar empreendedorismo, retórica, política, dentre outros), mas sim pela obrigatoriedade de “ensino” de uma carga curricular extensa, desinteressante e que pouco reflete nas posteriores vidas acadêmica e profissional dos estudantes, e somente prepara para exames que não refletem a realidade, que exigem uma única resposta em questões de interpretação (não são raras as questões que pedem a alternativa “mais correta”) e que são passíveis de manipulação ideológica de burocratas, políticos e reitores de universidades.

Engana-se, todavia, que tal realidade seja recente e exclusiva ao Brasil. Nações desenvolvidas passaram por críticas semelhantes quanto à rigidez do modelo de ensino principalmente durante as décadas de 1970 e 1980. A maioria, em maior ou menor grau conseguiu solucionar parte dos problemas e hoje, mais do que há 40 anos, se tornaram centros de referência de ensino no mundo. Mas isto não significa que as críticas tenham sido menos brandas em 1979.

Afinal, com os anos 1970 chegando aos seus últimos suspiros, época em que boa parte da população mundial repousava suas esperanças em um futuro menos conflituoso e menos impactante para a economia global, depois de um retrospecto recente de ascensões e quedas de regimes autoritários, ditatoriais de esquerda e de direita na Europa, África e América Latina, revoluções islâmicas no Oriente Médio e crises internacionais decorrentes do aumento do preço do barril de petróleo, é natural que a paciência da maioria dos setores destas sociedades não estivesse em alta com seus governantes (não é mesmo Nixon?) acerca de quase qualquer matéria.

E era na arte popular e na cultura de massa aonde a sociedade encontrava um terreno fértil para questionar os modelos educacionais vigentes, com críticas ácidas quanto à hipocrisia da disciplina rígida e da padronização do pensamento sem a abertura de liberdade de expressão para os alunos. E o ano de 1979 trazia cada vez mais álbuns com forte teor contestador de tal realidade, geralmente relacionadas aos estilos do “folk” e do rock progressivo, este o qual estava próximo de alcançar seu auge na história do rock. Em virtude do segundo estilo musical, muitos associam a rejeição ao que se tinha como suprassumo da educação do “futuro da nação” ao lançamento mais importante daquele ano, “The Wall” da banda britânica Pink Floyd lançado em novembro, que continha a clássica “Another Brick in the Wall”.

Entretanto, outro álbum importante para a história da música, lançado em março do mesmo ano, trazia uma música que embora tratasse do mesmo assunto com outra ênfase, foi tão importante quanto à canção do Pink Floyd para a contestação do modelo de educação dos países de língua inglesa. Trata-se do álbum “Breakfast in America” da banda Supertramp, liderada por Roger Hodgson e Rick Davies, que trazia o maior sucesso comercial da banda, a famosa música lógica ou “The Logical Song”.

O nome desta canção se deve por ela se tratar de uma história que poderia ser associada com a de boa parte dos jovens britânicos, em que aos poucos perdem a inocência e liberdade da infância e conforme os anos de escola se passam acabam se tornando mais conformados com o sistema em que estudaram e menos estimulados a pensar e questionar por conta própria, abandonando ideais próprios em favor do que burocratas e professores queriam que aqueles pensassem, algo que ainda é mais forte, porém não exclusivo, de ditaduras autoproclamadas.

Ao começar a música com “When I was young it seemed that life was so wonderful, a miracle, oh it was beautiful, magical. And all the birds in the trees, well they’d be singing so happily, oh joyfully, oh playfully, watching me”, Hodgson se refere ao período antes de ser matriculado na escola, em que tudo, na visão de uma criança despreocupada, era belo, mágico, e alegre. Tal realidade muda logo em seguida, no trecho “But then they send me away, to teach me how to be sensible, logical, oh responsible, practical. And then they show me a world where I could be so dependable, oh clinical, oh intellectual, cynical”, em que após o período feliz inocente e livre da infância, a maioria dos estudantes entra em um ambiente mais preocupado com resultados do que com a qualidade de ensino, mais preocupado em padronizar os alunos de forma que todos ajam sob uma mesma lógica; a de serem práticos, “confiáveis, clínicos, intelectuais e cínicos”.

Por mais que a maioria destes adjetivos, ao analisa-los separadamente, demonstrem boas características, no sentido da música ao serem expressos no mesmo trecho reforçam um contraste (o qual se pode adaptar à realidade brasileira) entre o anterior ao ingresso escolar, em que havia a plena liberdade de expressão individual da criança e do jovem; e o posterior, no qual ao se matricularem na maioria das escolas mais bem classificadas nos índices nacionais, sejam elas privadas, públicas ou militares, perdem esta liberdade e precisam ser adequados de uma forma que pouco questionem o sistema em que estão inseridos e que ajam de forma fria e “cínica” em busca dos melhores resultados em vestibulares que por sua vez também não abrem margem para livre interpretação ou exercício de crítica aos mesmos, nem admitem outras conclusões que fogem da cartilha ideológica de reitores e burocratas.

O ápice deste contraste é perceptível a partir do momento em que, apesar das eventuais pressões institucionais, conforme os alguns alunos vão ganhando maturidade suficiente para se questionarem sobre sua própria identidade e para questionarem seus professores se o modelo de educação que recebem é o mais adequado e por que o mesmo não poderia ser diferente, conforme explícito no trecho: “Won’t you please, plase tell me what we’ve learned? I know it sounds absurd. But please tell me who I am.”.

O corpo docente então, se divide em quatro grupos: os que simplesmente não se importam; os professores mais associados com a esquerda autoritária, os quais possuem mais influência nas universidades e no MEC que estimulam seus alunos a se “rebelarem contra o sistema” apenas para reforçarem seus vícios contra a liberdade de pensamento; os mais associados à direita autoritária, que tentam por meio da rigidez extrema, em alguns colégios militares, a criar um sentimento saudosista ao regime militar em seus alunos; e por fim os que estão cientes do problema, mas que por causa das dificuldades ideológicas e burocráticas pouco pode fazer para melhorar a situação.

Desta forma, principalmente se você possui uma opinião contrária ao status quo educacional, seja na Inglaterra de 1979 seja no Brasil de 2018, muitas vezes a recomendação tomada infelizmente é “Now watch what you say or they’ll be calling you a radical, a liberal, oh fanatical, criminal”, ou seja, para que o estudante não discuta, senão será chamado de liberal no caso inglês, ou “fascista” ou neoliberal no caso brasileiro, e será demonizado seja diretamente nas universidades, o qual será taxado por professores autoritários de um radical extremista contra os pobres, e todos aqueles clichês de sempre; ou indiretamente pelo viés ideológico velado de boa parte dos vestibulares.

Por fim, a música traz de forma irônica o objetivo final de todo governo agigantado: o de ter cidadãos incapazes de questionarem as ações do mesmo seja pelo sistema de educação que padroniza os alunos ao invés de exaltar e fazer valer a individualidade dos mesmos, seja pela censura de quem percebe essa padronização e possui ideologia contrária aos burocratas do sistema. Como traz o trecho mais importante da música: “Oh, won´t you sign up your name? We´d like to feel you´re acceptable, respectable, oh presentable, a vegetable”, o que o governo mais quer é que você não o questione, mas sim seja um aceitável, respeitável e apresentável vegetal diante das ações do mesmo.

Assim sendo, como todo bom clássico do rock, a obra prima de Roger Hodgson traz consigo uma mensagem crítica atemporal seja qual for o país que passe por uma crise em seu sistema educacional. E tal mensagem, nada mais nada menos, é de jamais nos calarmos diante da padronização do pensamento, e defendermos sempre o nosso direito mais sagrado, assegurando assim a liberdade de expressão de todo estudante, por mais que a esquerda autoritária o chame injustamente de fascista, por mais que o desejo velado do MEC seja que todos sejamos vegetais adestrados, pois não existe atentado maior a individualidade de um estudante que a supressão de suas ideias.