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Presidente do Instituto Ajuricaba

Braga contra a privatização? Entenda o real motivo.

INSTITUTO AJURICABA
Artur Fonseca | 11 de Fevereiro de 2018

Na última quinta (08) a assembleia geral de acionistas da Eletrobrás aprovou a privatização das seis distribuidoras de energia no Norte e Nordeste do país. A intenção da empresa é leiloar as distribuidoras até o dia 30 de abril. Cada uma delas terá valor simbólico de 50 mil reais.

As distribuidoras pertenciam a governos estaduais, mas foram assumidas pela Eletrobrás no fim da década de 1990. A intenção era privatizá-las em seguida, mas elas ficaram quase 20 anos nas mãos da estatal. Nesse período, elas geraram prejuízo de mais de 20 bilhões de reais.

Ex-ministro de Minas e Energia (MME) do governo Dilma, o senador  Eduardo Braga postou em suas redes sociais um texto onde se posicionava contra a privatização da Eletrobrás:

Privatizar significa um grande risco, principalmente para o povo do interior do nosso estado. Não vou deixar de lutar contra isso!” escreveu o senador, logo acima de uma imagem apelativa de funcionários da Amazonas Energia carregando um poste de luz com água até a cintura.

Post na página oficial do senador no Facebook, logo acima dos comentários de assessores.

Entretanto, o que Braga não disse em seu texto é que ele próprio é um dos maiores responsáveis pelo caos financeiro que tomou conta da estatal de energia. Responsável pelo MME entre Janeiro de 2015 e Abril de 2016, Braga transformou o já pequeno lucro trimestral da Eletrobrás e o transformou em um déficit bilionário.

Só na Amazonas Energia, a divida repassada aos consumidores foi de mais de R$ 9 bilhões e no Piauí, cujo governo entrou no STF para barrar a privatização da distribuidora local, o prejuízo beira os R$ 3 bilhões, além da situação financeira da subsidiária ser tão precária a ponto de não interessar potenciais compradores.

Ávido para agradar sua base eleitoral, Braga gastou dinheiro da estatal com vários projetos populistas que só aumentaram o déficit da empresa, além de ter sido denunciado pelo senador Ronaldo Caiado (DEM) de fazer “negociatas” em operações do ministério em Goiás.

Portanto, a privatização de estatais como a Eletrobrás será um alívio tanto nas contas públicas quanto para os serviços prestados aos consumidores, que sofrem com uma estatal usada há décadas como cabide de emprego e corrupção generalizada.

Políticos tradicionais estão desesperados com o pacote de privatizações do governo Temer justamente porque ele mexe com gigantescas fontes de ativos financeiros ilegais e eleitorais. Deputados e senadores que loteiam estatais há décadas terão agora que se virar para arrumar outras negociatas para se manter no poder. Ou seja, a privatização beneficia a todos, menos os políticos. E é exatamente por isso que devemos defende-la.

Artur Fonseca foi coordenador regional do Students for Liberty Brasil (SFLB) e atualmente preside o Instituto Ajuricaba.