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O Exame Nacional do Ensino Médio nunca foi sobre o Ensino Médio

Por Lucas Bellinello

O exame nacional do ensino médio, ENEM, realizado no último domingo, mal tinha acabado e já era chamado de comunista. A prova abordou questões sociais, desde o controle de armas até incentivos e regulamentações para obrigar a participação de mulheres em Partidos Políticos. E se alguém por algum motivo ainda pensa que o ENEM é uma forma de avaliação, lamento informá-lo, a prova nunca teve este objetivo.

Pode parecer masoquismo, talvez até seja masoquismo, mas desde 2013 reservo dois dias do meu ano para ver o quanto estamos gastando uma fortuna para continuar errando na educação e acertando em um programa de ideologização (doutrinação) em massa. Com essa experiência anual posso perceber que os estudantes são testados se de alguma forma vem absorvendo as informações socialistas que receberão em toda sua vida acadêmica.

Apenas este ano o ENEM abordou: porte de armas como responsável pela morte de crianças, usou trecho de música de Chico Buarque, citou filmes de Wagner Moura, Picasso e até elogiou a duvidosa beleza de Frida Kahlo. Vale lembrar que nos anos anteriores também tivemos a citação de Paulo Freire, Lenin e Simone de Beauvoir, elogios ao Feminismo e até exaltação a revolução russa, responsável por milhões de mortes.

Enquanto muitos intelectuais e simpatizantes de esquerda estão celebrando, o MEC divulgou que em 2016 o gasto total com o exame alcançou a bagatela de R$ 788 milhões. Bem cara, não?

Para alguns pode parecer teoria da conspiração que o ENEM visa implantar uma determinada ideologia, mas o que é bem claro é que o ENEM custa caro demais para continuar sendo aplicado e que as questões ofertadas anualmente no Caderno não são parciais e nem tem por objetivo avaliar coisa alguma de educação.

 

*Lucas Bellinello é graduando em Direito pela Universidade de Cuiabá, uma das lideranças do Students For Liberty Brasil, integrante do Movimento Brasil Livre, membro do Instituto Liberal de Mato Grosso e YouTuber do canal Sentinelas da Liberdade.

Resenha: The Headmaster Ritual (The Smiths) – a obra atacando o atraso educacional

Por Alexandre Neves Solórzano

Nos meados da década de 1970, Morrissey, vocalista dos Smiths, banda britânica que recheou os anos 1980, cursava o seu segundo grau em alguma escola de Manchester (RU). Os ingleses parecem compadecer-se com aqueles que percebem uma certa violação, sentimento que se torna legítimo quando exposto por quem alega a necessidade de ser e sentir-se “livre”, de qualquer forma, mas “livre” do que parece ser uma corrente durantes anos a fio. Um sistema educacional atrasado educa seres humanos para outra época, um momento já não condizente com a atual realidade. Essa situação agride jovens de países desenvolvidos e subdesenvolvidos, o que descarta apenas o fator econômico das nações.

A canção que trago ao público é do álbum Meat Is Murder, de 1985, e é um tanto quanto hiperbolizada, com associações bem loucas entre um presídio e uma escola. Fantasmas bélicos comandam as escolas de Manchester é a frase que abre a canção, e dá para extrair daí a revolta do já adulto Morrissey, que tem o seu momento de escola como um dos piores da sua vida. Você já se sentiu assim? Isso nos leva a pensar sobre a eficiência de algo que nega virtudes, que vai na contramão do individualismo natural de cada ser humano. Foca-se, novamente, na imagem de uma liberdade intelectual furtada, de um coletivismo enfiado goela abaixo em quem passa pelo sistema, já demonstrados na resenha do álbum The Wall, da banda Pink Floyd, também britânica.

Ao longo da canção, tem-se uma rotina de agressões e abusos sofridos pelo eu-lírico, como cotoveladas, xingamentos e um tratamento semelhante ao de um quartel. O professor lidera as tropas, com inveja da juventude, o mesmo terno velho desde 1962 evidencia uma postura autoritária por parte dos profissionais em questão. A crítica vai de um relato pessoal a um cenário repleto de detalhes que possibilitam e incentivam tratamentos assim: a simples obrigação de aprender matérias que não são de seu interesse, como fosse um bebê incapaz, é, em si, uma atitude autoritária. Não é precisa levar umas porradas para entender que você não está num lugar por vontade própria, tampouco se esse lugar é um ambiente hostil, como o retratado na canção. O apelo do garoto que deseja ir para casa não poderia exemplificar melhor o que é sentir a limitação na pele, mesmo que não se entenda isso.

Como conclusão, vale indicar toda a obra dos Smiths, que possui um abrangente conteúdo existencialista, crítico-social e também focado nas questões da juventude. Eu quero ir para casa, eu não quero ficar aqui é a emblemática frase dita tão fortemente pelo vocalista, que pode ser remetida a todos os ambientes onde o sistema de ensino carece de uma renovação. Essa parte que nos toca, a educação, é o foco central de qualquer pudor pelo desenvolvimento e pela liberdade. Morrissey exagerara tanto assim ao associar casos de violência à rotina escolar? Limitar conhecimento em prol de uma suposta disciplina não pode ser tido como uma violência? Cabe a nós interpretarmos as obras que estão sendo indicadas por aqui e construirmos uma linha lógica para averiguar a veracidade dessas críticas. Ouça a canção e tire suas próprias conclusões!

A Alegoria da Caverna e a Máquina Política Atual

Por Bernardo Belota

 

“A parte que ignoramos é muito maior que tudo quanto sabemos.”-Platão

 

I-Introdução:

Primeiramente, se você é do tipo de pessoa que gosta de ver “O futuro repetir o Passado” ou gostaria de ver de uma outra perspectiva o atual contexto político e social brasileiro, você terá a oportunidade de dispor de uma leitura aprazível. A proposta deste é, a partir de uma comparação com o mito da caverna de Platão, questionar o quanto a sociedade e a política mudaram. Teriam elas se diferenciado tanto dos modelos do século IV a.C, onde a democracia grega vigorava? Isso é o que de uma forma conjunta, refletiremos.

 

  • Um breve comentário sobre o autor:

Platão (Arístocles) viveu durante o período clássico da Grécia Antiga (Séculos V a.C – IV a.C), mais precisamente durante os anos de 427 a.C a 347 a.C. Ele foi discípulo do filósofo Sócrates. É considerado um dos maiores pensadores de toda a filosofia. Sua principal ideia é baseada na dualidade de mundo, na qual existe o sensível, que pode ser compreendido pelos sentidos e é uma mera cópia de objetos reconhecidos pela alma. Existe também o inteligível, lugar de origem da alma (o conceito de alma não tem haver com qualquer sentido religioso ou espiritual, mas sim com o sentido de razão) e onde essa, tem conhecimento dos objetos os quais reconhece e visualiza no mundo sensível. Para Platão, os sentidos eram enganosos pois não davam qualquer precisão ao saber, dissemelhantemente da racionalidade. Com base nesse raciocínio, criou a alegoria da caverna em sua obra “A República“.

 

  • Um breve adendo sobre obra “A República”:

“A República”, escrita em dez livros, aborda a ideia de Estado Ideal para Platão, a Sofocracia. Para compreendermos a Cidade Ideal de Platão, precisamos entender que, para que esse modelo funcione perfeitamente, é necessário que todos que ela compõem façam seus devidos trabalhos. Para isso ser possível, ele (Platão) divide a sociedade em três classes: a primeira delas seria a de artesãos, que seriam responsabilizadas pela produção de bens materiais; a segunda seria a de guerreiros, responsáveis pela defesa dessa cidade contra possíveis males; a última classe a dos filósofos, que deveriam dirigir a cidade e zelar pela obediência das leis (Uma vez que apenas os que têm o conhecimento podem governar, para impedir que a incompetência e a corrupção tomassem o poder público). Esta divisão estaria embasada em suas aptidões. Platão, em “A República”, ainda compara a sociedade ao modelo anatômico do corpo humano, no qual como a cabeça governa todo o corpo, os filósofos, aqueles dotados da razão, deveriam liderar a cidade. Já aqueles que eram dotados da cólera, a qual Platão associava ao peito, seriam os guerreiros, os corajosos, que são responsáveis pela manutenção da paz. O terceiro grupo, guiados pelo desejo, que no corpo estariam representados pela região inferior do ventre, este grupo, os artesãos, deveriam controlar seus desejos para atingir a temperança, moderação, para tal feito, seria necessário canalizar seus desejos nas atividades de seus trabalhos.

Nesta obra, é possível perceber uma fragmentação da alma (com conceito racional) em: 

Logistikón, a faculdade racional, responsável pelos cálculos e pela lógica do raciocínio; 

Thymólides, onde habita a cólera e o lado impulsivo, responsável pela intensidade dos sentimentos, fazendo eles prevalecerem e é responsável também pelo furor e a veemência.

Epithymetikón, é o lado ambicioso, concupiscente, responsável pelos desejos.

Para a sociedade funcionar de maneira ideal, ainda era necessário que todas essas classes fossem felizes em uma mesma intensidade. Para que isso fosse possível deveria haver justiça, para tal, deveríamos retomar as coisas do marco zero. Para o filósofo, as famílias deveriam deixar de existir. Quando as crianças nascessem, elas deveriam ser deixadas por suas mãe e passariam a ser educadas pela cidade. Para ele, inibindo esses laços familiares, inibiria também o egoísmo e não as deixaria alheias aos maus hábitos.

A educação pelo Estado deveria ser feita a partir do seguinte critério: até os dez anos, as crianças receberiam educação quase que somente física; após os dezesseis, a música ficaria responsável por educar o espírito; quando atingissem os vinte anos, se submeteriam a um teste teórico-prático, que seria responsável pela divisão de classes. Os que não passassem seriam designados a classe dos artesãos. Aqueles que passassem, receberiam mais dez alunos até se submeterem a um novo teste. Para os aprovados nessa segunda fase, seria permitido a esses, que estudassem a filosofia e se dedicassem a estudar o mundo inteligível.

 

  • Contexto histórico da época:

A Grécia estava em seu Período Clássico, período o qual foi marcado por diversas invasões e conflitos que transformaram a Grécia em um verdadeiro campo de batalha. Embora tenham ocorrido esses conflitos, o Período Clássico é marcado como o auge da civilização grega. Nele, ocorreu a transformação do sistema político-administrativo de Atenas assim como o espalhamento do mesmo para outras cidades-estado. Houve as Guerras Médicas de 490 a.C  até 479 a.C, nesse conflito, os Persas tentaram invadir a Grécia a partir da dominação de colônias asiáticasTendo o conhecimento do território das penínsulas dos Balcãs, derrotaram os persas. Esse conflito incentivou a aliança de várias pólis gregas, como a Liga de Delos. 

Nesse período, é notável o governo de Péricles, ele foi responsável pelo desenvolvimento da Democracia ateniense e a criação de grandes números de obras públicas. Com a soberania de Atenas e sua ofensiva contra as outras cidades-estado, logo se criou, sob o comando dos espartanos, a Liga do Peloponeso. Assim, com o combate entre as ligas, a de liderança Ateniense contra a de Espartana, deu origem a Guerra do Peloponeso.

II- A Alegoria da Caverna:

No sétimo livro de “A República“, se apresenta um dos textos de filosofia mais debatidos do mundo o “Mito da Caverna“, que demonstra uma relação entre a sociedade e o conhecimento. Com ele, Platão explica a existência de dois mundos (Já mencionados anteriormente).

 

  • O mito:

O mito se passa em uma “morada subterrânea” no formato de uma caverna. Nessa caverna habitam homens, os quais  estão presos desde a infância, acorrentados pelo pescoço e pelas pernas, de tal forma que não podem mudar de lugar nem mexer suas cabeças para visualizar alguma coisa que não esteja na frente deles. Toda a fachada da caverna está aberta para a luz. Porém, a luz que chega a eles vem de uma fogueira situada mais distante, no alto. Entre os prisioneiros e o fogo, há um corredor cortado por uma mureta. Por esse caminho, passam pessoas com diversos tipos de objetos, alguns em formas de animais, outros em formas humanas e figuras de madeiras, pedras, além de outros materiais. Entre essas pessoas que passam pelo trajeto, algumas mantêm conversas. Tendo em vista que tudo o que conseguiam contemplar, ou seja, que seus sentidos captavam, era um conjunto de sombras e algumas vozes, eles acreditavam que aquilo era a única realidade. Glauco, interlocutor de Sócrates, após ter tido certeza de que os presos aceitaram apenas aquilo como verdadeiro, escuta a suposição de Sócrates afirmando que se um deles repentinamente se rebelasse e conseguisse escapar da caverna, em um primeiro momento se sentiria atordoado pelas luzes solares, porém gradualmente conseguiria progredir, visualizando não mais apenas as sombras mas as formas a partir do reflexo da água. Após ter se adaptado, poderia finalmente enxergar com seus próprios olhos a beleza do universo e definir as formas que o cercam. Quando, enfim contemplasse o sol, se sentiria na obrigação de compartilhar com os amigos sua inacreditável descoberta, a de que existiam muitas outras coisas além daquelas meras sombras. Contudo, esses não  o ouviriam, ele seria chamado de tolo e o intimidariam fazendo ameaças de morte.

 

  • Interpretação do mito aplicada ao contexto atual:

 

A Alegoria da caverna, vista acima, demonstra o estado de ignorância da maior parte da sociedade. Representada pelos prisioneiros, ela é enganada por pessoas que lhes mostram tudo o que conseguem ver, essas pessoas que passam pelo corredor, podem ser interpretadas por mídias, redes sociais e  todas as fontes de informação que podem ser influenciadas e fazem abordagens de forma superficial. As sombras podem ser entendidas pelas informações manipuladas. As correntes que aprisionam as pessoas seriam de forma alegórica, o comodismo e o desinteresse por buscar maiores saberes. Podemos analisar também o prisioneiro que se rebela como um intelectual que foge das condições aprisionadoras das “correntes” e busca por conhecimento. No mito é citado a seguinte colocação: 

“[…] se um deles repentinamente se rebelasse e conseguisse escapar da caverna, em um primeiro momento se sentiria atordoado pelas luzes solares, porém gradualmente conseguiria progredir, visualizando não mais apenas as sombras mas as formas a partir do reflexo da água. Após ter se adaptado, poderia finalmente enxergar com seus próprios olhos a beleza do universo…

Esse trecho alegórico pode ser compreendido como: um indivíduo que saísse de uma total alienação, e tivesse um incipiente contato com o conhecer verdadeiro, isso o incomodaria a princípio, porém com o tempo tentando entender melhor as coisas que o rodeiam, utilizaria do “reflexo da água”, ou seja, da interpretação e obras de outras pessoas, mais fundamentadas e mais sábias do que ele. De forma gradativa, aprendendo com essas pessoas mais experientes e que possuem sua própria análise do mundo real, poderia começar a fazê-las sozinho, assim como suas próprias obras abordando seu novo universo, o que é representado por: 

“[…] Após ter se adaptado, poderia finalmente enxergar com seus próprios olhos a beleza do universo…”

Após ter descoberto as maravilhas da realidade e superado seu estágio de estupidez, tenta alertar as pessoas em que convive para que possam compreender tudo a sua volta de maneira correta e assim contribuir para um todo. Porém, as pessoas as quais ele alerta, por estarem tão firmadas nas bases de uma realidade ilusória, não conseguem enxergar o quão grande e vasto as coisas podem ser e não compreendem a dimensão da vagueza na qual eles se firmam. 

“[…] Quando, enfim contemplasse o sol, se sentiria na obrigação de compartilhar com os amigos sua inacreditável descoberta, a de que existiam muitas outras coisas além daquelas meras sombras. Contudo, esses não  o ouviriam, ele seria chamado de tolo e o intimidariam fazendo ameaças de morte....”

Isso tudo que foi apresentado, ainda pode ser compreendido como, um sistema político que a partir de meios de divulgação de conhecimento manipulado, convencem os alienados (uma grande parcela da nossa sociedade) de que tudo aquilo que lhes é mostrado é verídico (se mostrando sofistas, sem qualquer compromisso com a veracidade dos fatos mas sim em atingir a massa popular), enquanto estão aprisionados por benefícios públicos muitas vezes camuflados por questões humanitárias e anti-discriminatórias e por conta desses benefícios gerarem um comodismo, de tal forma que, só conseguem enxergar a verdade que lhes é mostrada, por tanto, incapazes de conhecer por si mesmos. Até o momento que uma pequena minoria desse coletivo começaria a se questionar e a desejar aprender mais, se rebelando contra tudo isso e passando a ampliar seus conhecimentos. Inicialmente aprendendo por meio de pessoas mais fundamentadas e gradativamente, esse pequeno grupo começa a produzir ideias e conhecimentos próprios. Quando finalmente eles conhecerem e forem capazes de observar as coisas a partir das suas respectivas perspectivas do universo, buscarão informar os outros, mas esses, não quererão sob condição alguma, largar seus benefícios e o comodismo por eles gerado.

 

III-Conclusão:

 

Contudo, mesmo que o filósofo apresentado não seja muito bem visto no campo liberal/libertário – uma vez que expressa quase que de forma explícita alguns resquícios de coletivismo na sua teoria de organização social e política, apresentados de forma quase que conjunta, uma vez que todos os indivíduos têm que buscar, não a felicidade própria mas a felicidade da “República”, a qual é governada por um Rei Filósofo que escolhe o que cada pessoas deve fazer dentro da sociedade, anulando por completo a liberdade individual – podemos afirmar que o contexto do período clássico grego não possui tantas diferenças dos modelos atuais, uma vez que nosso setor político, assim como na época, se preocupa mais em atingir as massas populares do que com a veracidade dos fatos. E além disso, somos tão manipulados quanto os prisioneiros do mito supracitado o qual serviu de crítica a seu modelo político contemporâneo, temos também a mesma carência quanto ao conhecimento. Denota-se desta maneira, um prático comparativo entre períodos e uma possibilidade de refletir sobre nossa postura.

Resenha: Os três episódios que todo liberal deveria assistir – Rick and Morty

Por Alexandre Neves Solórzano

Rick and Morty é uma das séries animadas mais inteligentes já criadas, tendo como característica central um humor ácido e referências diversas à cultura pop norte-americana. Piadas de teor político e, até mesmo, brincadeiras envolvendo o presidente dos Estados Unidos são encontradas no desenho animado, que funcionam como um atrativo para todos aqueles que se interessam por política, história e uma boa trama.

Como resumo básico, Rick and Morty se baseia numa família tradicional estadunidense, em que Rick (avô) e Morty (seu neto) vivem aventuras por volta de todo o universo. Isso se dá porque Rick é um cientista extremamente criativo e inteligente, o que o possibilitou a criação de uma arma de teletransporte, que pode ser usada para viajar a dimensões diferentes e, inclusive, planetas extremamente distantes da Terra.

Segue abaixo uma seleção de episódios que podem interessar o público liberal, onde uma boa piada de teor político ou ironias engraçadas podem ser o principal atrativo. Não deixem de conferir a série depois de ler a resenha!

 

1 – Piloto (1 x 1)

Na introdução do seriado animado cria-se a noção da perspectiva niilista da personagem principal Rick Sanchez, avô do também protagonista Morty Smith, que acompanha seu neto em diversas aventuras intergalácticas. Dentro do ideológico comportamento individualista de Rick há-se críticas severas ao Estado e às práticas morais vigentes em sua atualidade. No episódio em questão, Rick e Morty estão em mais uma aventura comum, desta vez em busca de sementes raras, sendo estas próprias de um planeta específico. Após certas complicações envolvendo a arma de teletransporte de Rick, é necessário que Morty, sem mais nem menos, introduza as sementes no ânus, para que eles possam passar pela alfândega. Dando o plano errado, Morty e Rick iniciam uma fuga em direção à saída do planeta. Na reta final, Rick pede para que Morty atire nos guardas extraterrestres, alegando que eram, apenas, robôs. Morty inicia os disparos, vê o desespero dos baleados e de seus companheiros e constata: são seres vivos. Rick, surpreendendo-se com a surpresa de Morty, diz: são burocratas, Morty, a mesma coisa. Quem não se lembraria de Ayn Rand vendo uma coisa dessas? O início da obra evidencia fortemente uma postura libertária por parte do velho cientista, não necessariamente para a esquerda ou para a direita, mas tendo em vista a postura antiestatal da personagem.

 

2 – Close Rick-counters of the Rick kind (1 x 10)

Nessa ocasião, uma irônica organização social é demonstrada: uma sociedade composta apenas por Ricks e Mortys, onde os primeiros dominam os segundos, numa espécie de segregação clara e imposta pela superioridade intelectual dos Ricks. O episódio é uma cômica referência a todos os governos e suas respectivas culturas, em que neles habitam o egocentrismo, a manipulação e, principalmente, o autoritarismo. O “verdadeiro Rick”, da dimensão C-137, não deixa de possuir cada uma das características dos governantes da cidadela, mas é latente a sua veia antiestablishment, que usufrui da liberdade para derrubar governos pela galáxia a fora. O Episódio é essencial para aqueles que se interessam por política e é um vetor para uma das principais tramas da séria.

3 – The Ricklantis Mixup (3 x 7)

Sendo essa, sem dúvida, a parte mais aclamada da série, tal episódio traz consigo uma reunião de diversos temas num mesmo plano: pode-se enxergar George Orwell, aludindo à obra 1984, a trilogia Matrix ou a própria Escola de Frankfurt, com seus teóricos Adorno e Horkheim falando sobre a teoria da Indústria Cultural. O capítulo traz de volta a cidadela dos Ricks, dessa vez aprofundando bastante na realidade que cada cidadão acaba por passar. A verdade é que a desigualdade entre Ricks e Mortys parece estar chegando ao fim, por meio de uma personagem que, para não dar spoilers, não direi o nome por aqui: essa personagem está concorrendo à presidência da cidadela, e utiliza do discurso populista para alcançar o poder. Te lembra alguma coisa?

Nessa levada, conseguimos ver como a sociedade dos Ricks e Mortys é repleta de corrupção e manipulação, onde o Estado junto aos grandes empresários utilizam seus poderes para ruir os direitos de ambas as partes, tanto de Ricks quanto de Mortys. Isso acaba por dizer que, mesmo sendo os Ricks superiores aos Mortys no quesito da hierarquia, ambos sofrem com o autoritarismo e a alienação estatal, e o novo presidente ainda pode piorar as coisas, tendo um caráter que faz lembrar um pouco os déspotas da nossa vida real e cotidiana.

Não deixem de conferir a série, que pode ser vista na Netflix (primeira e segunda temporadas) e no YouTube. Dificilmente alguém não gostaria dessa animação envolvendo política, referências à cultura pop e uma boa dose de filosofia que ainda deverá ser tratada numa futura resenha.  

Resenha: Monumento às vítimas do comunismo – Praga e suas obras anticomunistas

Por Alexandre Neves Solórzano

 

O Comunismo, como todos aqueles que acompanham as atividades do Clube Ajuricaba já sabem, devastou partes do continente europeu de uma forma que respinga até os dias atuais. Pode ser visto nos países que ficam ao leste da Europa, por exemplo, uma maior incidência de pobreza e atraso no que tange a economia e o próprio IDH do país. Na Tchecoslováquia não fora diferente. Quando o Partido Comunista venceu as eleições parlamentares no país em 1946, muitos já suspeitavam do provável dano que tal acontecido poderia vir a causar. E em 1948, não para uma surpresa tão grande, houve um golpe e os comunistas tomaram o poder total na Tchecoslováquia.

Os quase cinquenta anos de domínio comunista na região europeia contaram com expulsões de liberais e invasões de países da URSS que contemplavam o Pacto de Varsóvia: o governante Alexander Dubcek, que buscava dar uma abertura econômica no país, foi imediatamente deposto no final dos anos de 1960 e todos os seus apoiadores exilados após a entrada de Gustáv Husák, que se tornou líder do Partido Comunista e fez questão de tal ação. Ou seja, desde os primórdios do período da pós-II Guerra Mundial a cidade de Praga, assim como o que hoje é a Eslováquia e a República Checa, não teve um século XX recheado dos benefícios sociais apresentados pela liberdade.

Por consequência lógica, o salto temporal do fim do período comunista do país até os dias atuais ressaltam uma Praga exacerbadamente anticomunista, contando com a existência de obras de artes que não dispensam a visita dos turistas. Além do gigante dedo do meio roxo direcionado ao Castelo de Praga, no meio do Rio Moldava, e das gigantes nádegas em que você pode pôr a cabeça e assistir políticos do século XX comendo ao som de “We Are The Champions”, da banda inglesa Queen, há também uma das esculturas mais marcantes de toda a Europa: o monumento que retrata as vítimas do comunismo foi inaugurado no dia 22 de março de 2002, pelo artista Olbram Zolbek, e choca até os dias atuais.

As estátuas representam indivíduos caminhando com uma aparência ofegante, estão macérrimos e demonstram uma constante decomposição. A crítica central recai sobre como a ideologia comunista tende a deteriorar o caráter humano e, também, destruir fisicamente toda uma população. Basta compararmos tudo isso ao que conhecemos atualmente na Venezuela, na Coréia do Norte ou em outras nações praticantes de vertentes socialistas. A obra choca não somente pela aparência das esculturas, mas principalmente pela carga histórica depositada na criação. Olbram, autor da obra, dedicou sua produção à todas as vítimas do comunismo e à todos aqueles que amam a liberdade. O artista, que nasceu em 1926, pode presenciar bem o que fora a destruição comunista em seu país, o que impediria qualquer inclinação sua ao lado mais à esquerda do espectro político, diferentemente de grande parte dos artistas que nunca presenciaram um regime socialista ou foram censurados pelo mesmo. Vale ressaltar que a decomposição retratada é representada por estátuas realmente pela metade, onde vemos um indivíduo sem metade de cima do corpo, com um buraco aberto no peito ou com pequenos furos ao longo do corpo.

É pela noite que o cenário torna-se mais amedrontador e nostálgico, que quando recheado pela neve remonta, talvez, cenas comuns de pobres trabalhadores corroendo-se com o frio da região, acompanhados pela precária situação econômica do país e a repressão do governo comunista. O monumento encontra-se numa escada em meio a uma ambiente florestal, e nele consta uma placa explicativa: 205,486 prisões, 170,938 exilados, 4,500 mortos nas prisões, 327 abatidos enquanto tentavam fugir, 248 executados. Além dos dados apresentados, na placa há a seguinte frase: “Este memorial é dedicado a todas as vítimas: não apenas aos que foram emprisionados e perderam a vida, mas também aos que viram a sua existência arruinada pelo despotismo totalitarista”.

Hoje Praga goza de obras de arte demasiadamente interessantes àqueles que são contrários à ideologia comunista, e vale a pena estudar sobre tais obras para poder compartilhar um pouco mais dos sentimentos de outros adoradores da liberdade de expressão e econômica. Hoje, a República Checa pode se mostrar como uma das nações mais desenvolvidas do período pós-comunista. Com um IDH invejável até para aqueles que não tiveram uma ditadura sanguinária em sua história, o país cresce cada vez mais com o turismo, tendo a cidade de Praga, país em que residem grandes obras de arte do período gótico e barroco, assim como as citadas por aqui, o foco central da procura turística.

Feliz aniversário, Ludwig von Mises

Por Roberto Alves Neto

Uma singela homenagem a Ludwig Heinrich Edler von Mises que no dia 29/09/2017  comemorou seu 136° aniversário.

Mises foi um dos fundadores da Escola Austríaca de Economia, em suas obras, aulas e palestras sempre foi um defensor fervoroso do capitalismo de livre mercado, para ele políticas intervencionistas, controles de preços e inflação (expansão da base monetária) era o caminho perfeito para a miséria e escassez.

Ação Humana:

Ação Humana foi com certeza a sua principal obra, onde através da praxeologia (ciência da ação) Mises busca provar que os seres humanos agem em busca de atingir um grau de satisfação maior do que ele se encontrava antes de iniciar sua ação, assim cada pessoa existe uma ‘escala’ de necessidades o que faz elas atribuírem diferentes valores as mesas coisas dependendo de sua necessidade, um sanduíche vale mais para você quando você está com fome do que quando está satisfeito.

Liberdade Econômica:

Para Mises a liberdade econômica está diretamente ligada a qualquer outra liberdade: “Nada há na natureza que possa ser chamado de liberdade; há apenas a regularidade das leis naturais, a que o homem é obrigado a obedecer para alcançar qualquer coisa”[1]. Esse trecho merece destaque pois há pessoas que afirmam que o capitalista dá mais valor à liberdade econômica do que as outras liberdades, porem esquecem que o dinheiro não é o objetivo final e sim o meio para obter os bens necessários.

Mentalidade Anticapitalista:

Outra obra importante que merece destaque nessa homenagem é A Mentalidade Anticapitalista, nessa obra ele apresenta os principais pontos que levam a pessoas a achar o capitalismo injusto. Uma crítica que ele ataca e que é usada até hoje é afirmar que o empresário reina sobre as pessoas, as escraviza e as força a viver apenas com o necessário, contudo Mises responde: “O sistema de lucro torna prósperos aqueles que foram bem-sucedidos em atender as necessidades das pessoas, da maneira melhor e mais barata possível”[2], “Os empresários e capitalistas devem sua fortuna às pessoas que, enquanto fregueses, sustentam os seus negócios. Eles a perdem, inevitavelmente, assim que outras pessoas os superam num atendimento aos consumidores de forma melhor e mais barata”[3].

 

Considerações finais:

Durante muito tempo as obras de Mises foram esquecidas, nossa sociedade ocidental já acostumada com aquilo que o capitalismo nos proporcionou achava tudo isso normal e esqueceu como defendê-lo, enquanto aqueles que o odiavam simplesmente aproveitaram para ignorar sua linha de pensamento. Assim tornou-se fácil ‘converter’ as pessoas, mostrá-las como o capitalismo é injusto e predatório e como ele está fadado a crises.

Contudo suas obras ainda vivem e em meio a dificuldades e incertezas as pessoas passaram a buscar entender o outro lado assim se deparando com obras e autores tão importantes quanto foi Ludwig von Mises.

 

“Ideias e somente ideias podem iluminar a escuridão. ” – Ludwig von Mises

Referências:

[1]As seis lições, pagina, página 24.

[2]A Mentalidade Anticapitalista, página 13.

[3]A Mentalidade Anticapitalista, página 16.

Considerações sobre o Egoísmo

Por Roberto Neto

Atualmente, quando uma pessoa fala “eu sou egoísta” é tratada como se fosse um monstro. Ocorre que sentido original dessa palavra foi totalmente deturpado. Egoísta é tido como aquele que enxerga somente a si, que não se importa com os outros e que se precisar passar por cima de alguém para satisfazer suas próprias necessidades o fará. Essa definição está totalmente errada. Uma pessoa egoísta é aquela que pensa primeiro em si, que prioriza a si, e por mais que para alguns pareça com a apresentada logo acima elas são totalmente diferentes como será demonstrado a seguir.

Egoísta – Priorizar a si, pensar primeiramente no ‘eu’ no que no outro.

Egotista – Enxerga somente a si, não são capazes de enxergar outros indivíduos.

O valor (aquilo que os indivíduos buscam atingir e/ou manter) fundamental para qualquer ser humano é a vida. A vida é um valor que possui fim em si mesmo. Todas as atitudes de um homem são em busca de preservar e melhorar sua vida, de saciar suas necessidades e diminuir seu sofrimento. Mas o que isso tem a ver? A partir do momento que temos a vida como valor fundamental podemos usá-la como régua para definir se algo é bom ou mau. Tudo aquilo que prejudica e ou ataca a vida de alguma forma é mau, enquanto que tudo aquilo que preserva e protege a vida é bom.

Com isso em mente devemos agora buscar uma forma a partil da qual todos possam buscar preservar sua vida. Se essa forma não puder ser universalizável, isto é, aplicada a todos os homens ela é incorreta. Esse é, inclusive, um dos problemas do altruísmo. Para que ‘todos’ sejam altruístas é necessário um egoísta que será o beneficiado.

Egoísmo é a forma perfeita de viver em sociedade pois evita conflitos e desavenças. Cada um busca satisfazer suas próprias necessidades e não se torna dependente da boa vontade dos outros. Então significa que eu posso passar por cima de quem eu quiser se isso for me beneficiar? Não. Já vimos que qualquer coisa que ataque a vida, sua ou de outro, é uma forma de mal. Se uma pessoa ‘pisa’ nos outros para atingir suas necessidades ela não está priorizando o seu indivíduo, e sim ignorando que os outros também são indivíduos e que também possuem necessidades.

Muitos dizem que essa visão ignora que vivemos em sociedade, que dependemos do agricultor para conseguir comida, do pedreiro para termos uma moradia, e de tantos outros profissionais que nos cercam, e que de acordo com essa visão o certo seria cada um produzir tudo aquilo que precisa. Contudo esse é um sistema perfeitamente egoísta. O padeiro não entrega o pão de bom coração para as pessoas. Ocorre uma troca onde o padeira dá o pão e o cliente o dinheiro que o padeiro utilizará para suprir suas necessidades. As pessoas perceberam muito tempo que seria muito mais eficiente cada um se especializar em algo, fazer aquilo muito bem, e depois trocar com outras pessoas por coisas que elas se especializaram. Surge aí o tão odiado sistema de trocas voluntárias de bens e serviços, também denominado capitalismo.

Outro questionamento decorrente é sobre as pessoas carentes Se somos egoístas por quê ajudamos os outros? O que ganhamos com isso? Quando agimos não buscamos apenas satisfação material, buscar se sentir feliz através de ajudar pessoas carentes é um ato egoísta. Você está ganhando algo. O ‘eu’ sempre está no meio dessas frases. O que ocorre é que por algum motivo existe a crença que isso não é algo bonito, algo virtuoso, que devemos na verdade ajudar pelo simples ato, como se já fosse algo natural. Um bom exemplo seria: “ajudei meu amigo em Física pois ele precisava”. O que você está dizendo na verdade é: “eu ajudei meu amigo em física pois eu me importo com ele”.

E para aqueles que insistem em dizer que o correto é sermos todos altruístas eu tenho um desafio: dê um brinquedo a uma criança carente. Se você não sentir um pingo de alegria, parabéns, você é 100% altruísta! Já aqueles que fracassaram não se preocupe, não nada de errado em ser egoísta.

Resenha: Metal Contra As Nuvens – um registro libertário

Por Alexandre Neves Solórzano

Quem diria que a maior banda de Rock da história do Brasil, Legião Urbana, seria um grupo musical liderado por um autoproclamado capitalista? O paí­s que possui em sua carga cultural o marxismo como aperitivo apresenta, dentro de seus registros, uma década de 1980 marcada por bandas de vieses abertamente esquerdistas, e a trupe de Renato Russo passara com um nado contra a corrente rumo ao reconhecimento nacional. As mensagens transmitidas por Russo, Dado e Bonfá tinham em seus respectivos códigos a marca de um espí­rito independente, livre e, principalmente, sincero. A liberdade era uma temática constante na banda.

Para evitar alongamentos a respeito da totalidade da Legião Urbana, alguma resenha futura apontará mais caracterí­sticas do célebre grupo. Nesta resenha em questão, trataremos de uma canção densa e que divide opiniões dentre os ouvintes da banda: Metal Contra As Nuvens, do Álbum V (1991).

Para analisar mais claramente o resumo do que tenta ser dito na obra em questão, é preciso retomarmos à mente a perspectiva individualista já citada em outras resenhas: um indivíduo em busca de alguma verdade, preso não somente pelos limites da sociedade mas também em sua própria existência. Além disso, é preciso lembrar da recorrente busca por liberdade nas letras existencialistas de Renato Russo. O que seria tal liberdade num âmbito crítico do ponto de vista libertário ou de um ponto de vista contrário ao Estado forte convencional da história brasileira? Quiçá uma simples confirmação de nossas tão almejadas ilimitações de pensamento e produção? Renato cantava o apelo por autonomia, acima de tudo, nos primeiros versos da canção:
“Não sou escravo de ninguém
Ninguém é senhor do meu domínio
Sei o que devo defender
E por valor eu tenho e temo o que agora se desfaz”
A provável arbitrariedade de qualquer análise ideológica pode desvirtuar a real intenção de Russo ao escrever a letra da canção. Entretanto, suas alegações a respeito de algumas questões como valores tradicionais, família e propriedade não deixam dúvida de qual lado o letrista se identificava mais. Autodenominando-se “capitalista” em entrevistas antológicas, Renato confirmava a Legião Urbana no patamar de defensores da liberdade econômica. Enquanto Plebe Rude pedia por uma distribuição de renda igualitária, a Legião Urbana recitava em suas canções o preço de um Estado gordo sobre a cabeça do povo.
Metal Contra As Nuvens não é tão difícil de ser compreendida quando se analisa e compara os versos da canção com a realidade brasileira da época em que fora escrita e a realidade atual. Alta taxa de impostos, uma corrupção institucionalizada e o Estado, como conhecemos, apropriador de quase tudo e propagador de chagas nacionais persistentes como a miséria e a falta de oportunidades para os mais pobres. O trecho que segue demonstra a revolta de se crer em promessas populistas que, no fim, acabam por não vingar, exibindo a falsa lábia da classe política:
“Eu quase acreditei na sua promessa
E o que vejo é fome e destruição
Perdi a minha sela e a minha espada
Perdi o meu castelo e minha princesa”
Para gerar mais um pouco de identificação com a obra, o seguinte trecho deixa claro a revolta que condiz com problemas inflacionários e relacionados à alta cobrança de impostos por parte do governo. Renato Russo, mentor principal do grupo, em entrevistas diversas relatou as dificuldades de se trabalhar e de se ascender num país em que os impostos atrapalham diretamente a renda individual de um trabalhador comum – este que o Estado diz tanto proteger:
“E por honra, se existir verdade
Existem os tolos e existe o ladrão
E há quem se alimente do que é roubo
Mas vou guardar o meu tesouro
Caso você esteja mentindo
Olha o sopro do dragão”
Após o término da canção é possível traçar uma linha histórica em busca de cada angústia representada pela banda nesse trabalho. O ar medieval nos leva a um cenário em que há um rei absolutista, que tudo pode. Isso torna possível uma comparação entre o nosso Estado atual e aqueles tempos da Idade Média, evidenciando a persistência da angústia por parte das civilizações. O sopro do dragão é praticado até os dias atuais.
Para finalizar a canção fora utilizada a esperança como musa central. Os versos exaltando um novo começo e almejando um ar otimista chegam a emocionar, fazendo-nos pensar em como seria um mundo minimamente justo. Toma o clima de um convite à luta ou à resistência, que para os críticos do sistema compõe o caminhar para uma sociedade livre:
“E até lá, vamos viver
Temos muito ainda por fazer.
Não olhe para trás,
Apenas começamos,
O mundo começa agora.
Apenas começamos.”

Opinião – A legalização da maconha não acabará com o tráfico no Brasil

Por Jefferson Paixão

Há muito que se questiona o modelo de segurança pública que prioriza o combate às drogas, e não a crimes com vítima. Segundo os últimos dados sobre a população carcerária brasileira, o total de presos é de 622.202[1], dentre homens e mulheres. Onde há informação disponível, os dados apontam que o maior motivo para encarceramentos é, por uma larga vantagem, o tráfico de drogas, representando 27%[2]. Entre as mulheres, tal percentual é de incríveis 63%. No total, até 168 mil pessoas estão presas por esse motivo: mais do que a população de municípios como Itu (SP), São Caetano do Sul (SP), Nilópolis (RJ) ou Balneário Camboriú (SC).

Além dos altíssimos índices de encarceramento, os impactos diversos da proibição nos índices de segurança pública já foram abordados Nesse Mercado[3], como a notícia de que em uma das cidades brasileiras listadas como uma das 25 mais violentas do mundo, 70% dos homicídios têm relação com o tráfico de drogas.

Portanto, caso o debate público venha a tomar vez no Congresso Nacional, com algum projeto de legalização ou descriminalização da maconha e outras drogas, é cabível que imaginemos os cenários possíveis e suas consequências para a sociedade, como o impacto na saúde pública e ainda mais fortemente na segurança pública.

Para entender que mudanças teríamos em tais resultados por conta de uma alteração na abordagem legal de tal tema, precisamos analisar mais a fundo a economia do tráfico de drogas. É necessário entender os incentivos econômicos por trás de tal mercado, a fim de verificar a que nível os incentivos legais terão impacto e que tendências de resultados podemos traçar para tais políticas públicas, cujo resultado esperado é pôr fim ao tráfico de drogas e a um verdadeiro mar de sangue.

Um monopólio bilionário

Em primeiro lugar, compreendamos a existência do tráfico. Ele existe porque a demanda pelo produto não pode ser suprida legalmente. Com isso, no preço do produto, além dos custos maiores de produção relativos a tocar uma atividade na ilegalidade (subornos, rotas mais longas, perda de mercadorias, gastos com segurança etc), é cobrado um ágio relativo a baixa concorrência do mercado. A oferta do produto se torna, em uma análise mais ampla, restrita a um monopólio do crime, pois o governo impede que empreendedores entrem legalmente no ramo.

Analisando o tráfico de drogas como um mercado como outro qualquer, e entendendo que seus agentes não deixam de estar sujeitos às leis econômicas de um mercado, vemos as coisas de uma maneira diferente do modo convencional de guerra as drogas. Entendendo que tanto o ofertante como o usuário, no ato de compra e venda do produto em si, não vitimam a ninguém, qualquer argumento para a criminalização de tal prática passa, necessariamente, por atacar a liberdade de ambos os cidadãos. Se a demanda nunca vai acabar, e a oferta sempre dará um jeito de supri-la (afinal, nem as maiores organizações policiais do mundo conseguiram acabar com a oferta de drogas), é necessário buscarmos a melhor maneira de convivermos com tal mercado, sendo essa a que menos venha a produzir externalidades à sociedade como um todo.

Experimentos de legalização

Diferentes modelos de legalização ou descriminalização foram tentados ao redor do mundo, obtendo diferentes resultados, com um sucesso retumbante de alguns casos. Em Portugal, por exemplo, todas as drogas foram descriminalizadas em 2001[4], e os usuários passaram a ser tratados não como criminosos, mas como dependentes que necessitam de ajuda. Tal política de mais de uma década nos mostra hoje resultados interessantíssimos: embora a porcentagem de indivíduos que experimentou drogas tenha inicialmente crescido, ela voltou a cair; os números relacionados a morte por uso de drogas despencaram; e a taxa de continuidade do uso durante a vida adulta também tem apresentado queda[5].

O estado americano do Colorado também decidiu legalizar a produção e venda de maconha para uso recreativo no ano de 2014. Em 2016, o total de vendas desse mercado foi de US$ 1,3 bilhões (mais de 4 bilhões de reais), dos quais US$ 200 milhões (cerca de 620 milhões de reais) foram arrecadados pelo estado como impostos[6]. Isso tudo enquanto o preço muito mais barato quebrava as vendas dos cartéis mexicanos[7] e reduzia o número de prisões, ajudando na diminuição da superlotação de seus presídios[8].

E o Brasil?

Falando, entretanto, da forma como tal legalização se daria no Brasil, é provável que a mesma seja apenas da produção e comercialização de maconha, que é considerada uma droga mais leve e socialmente aceitável, e exigiria menos esforço político para ser aprovada. Ou seja: perderíamos diversos dos benefícios de saúde pública vistos em Portugal ao mudar drasticamente sua abordagem. Além disso, também é provável a colocação de diversas restrições e regulações, como é comum em nosso país a diversas atividades econômicas até muito menos sensíveis, como telefonia móvel.

Partindo desse cenário, não estaríamos distantes de adotar medidas como criação de registro de compradores, limites máximos para compra, tributos, taxas e encargos diversos sobre o comércio do produto, e até mesmo regulação rígida da produção e distribuição. Tais medidas não somente encareceriam o preço do produto e diminuiriam a liberdade do usuário no comércio formal, como teriam uma consequência indesejada: não acabariam com o tráfico de drogas.

Vemos o exemplo do Uruguai, que há poucos anos decidiu legalizar a venda de maconha no país, embora com diversas restrições, e teve um efeito inesperado: o aumento do tráfico de drogas[9]. E o motivo aqui parece simples de entender. Embora haja a inclinação moral a se comprar um produto legalizado e dentro das restrições aprovadas na sociedade, o argumento econômico nos leva a pensar também pelo lado da satisfação pessoal de cada um desses consumidores: eles encontram, legalmente, o que procuram?

Um caso peculiar a analisarmos, e que traduz muito bem essa situação, é o dos cigarros. Todos os anos, principalmente pelas fronteiras dos estados da região Sul do país, bilhões de maços de cigarros são contrabandeados para o Brasil. Estima-se que com isso a indústria perca R$ 2 bilhões, e R$ 4,5 bilhões deixem de ser recolhidos em impostos. É o item mais contrabandeado do Brasil, representando quase 70% do total[10]. Mas por que um produto cuja produção e distribuição é legalizada e cujo mercado consumidor é bem estabelecido ainda é traficado? Ora, justamente pelos incentivos econômicos. Segundo a Souza Cruz, que recentemente encerrou a produção na sua unidade na região metropolitana de Porto Alegre, cerca de 80% do valor do produto é por conta de impostos[11]. Se produzir e distribuir legalmente sai caro demais, mais caro que fazê-lo ilegalmente, o contrabando inevitavelmente ganhará espaço. Com isso, temos uma piora na qualidade dos produtos consumidos no mercado e um impacto ainda mais negativo na saúde dos usuários, situação análoga a que temos hoje no mercado de drogas.

Uma abordagem menos complicada

Notavelmente não é fácil derrubar um mercado de bilhões de dólares. Também é importante notarmos que não é a legalização em si que acaba com o tráfico; e sim a queda no preço dos produtos. Por mais que a legalização da maconha em si já seja um avanço que deve impactar a segurança pública, é quase certo que caso adotemos um modelo cheio de burocracias, restrições, taxas e impostos, tal política não terá todo o impacto positivo que poderia ter. O tráfico, que não somente continuará a ter exclusividade de venda em outras drogas ilegais (como o ecstasy, a cocaína e o LSD), pode continuar a vender mais barato em algumas regiões, dependendo das restrições do mercado legal. Suas vendas bilionárias sofrerão grande impacto, mas lembremos que enquanto um kg da maconha é vendido a R$ 5 mil, um de cocaína pode chegar a R$ 32 mil[12].

Mesmo que a produção de drogas sintéticas não seja legalizada, o caminho traçado por Portugal nos mostra que tratar o usuário não como um criminoso, mas como um cidadão que pode precisar de ajuda médica para sua dependência, é muitíssimo vantajoso. O número de usuários em queda já dá sua margem de contribuição, mas qualquer outro esforço para diminuir o poder do tráfico também pode ser debatido, sempre levando em conta os incentivos que a legislação colocará sobre o mercado. Precisamos adotar um modelo de legalização que busque maximizar o bem-estar geral da sociedade, medindo os diversos benefícios a saúde pública, a segurança pública, e ao sistema prisional, e não um modelo que busque legalizar somente com o intuito de tributar e recolher receitas sobre tal mercado, como algumas estimativas o fazem, se baseando nos impostos incidentes sobre os cigarros[13].

Por que não adotar um modelo pouco regulado, onde haja poucas restrições a produção e venda do produto? Um modelo onde não somente grandes lojas consigam se adequar e vender o produto, mas onde pessoas possam produzir para si mesmas ou mesmo vender sem ter que enfrentar uma enorme burocracia e uma incidência de impostos que multiplicaria o preço ao consumidor? Assim, menos pessoas dependerão do crime organizado para conseguirem o que querem, e um mercado pacífico tem todos os incentivos para florescer. Afinal, se nem a maior organização policial do mundo conseguiu impedir que pessoas livres façam suas trocas, não são uns poucos criminosos armados, que nem de longe têm os mesmos recursos, cooperação e acesso a informações que o FBI, que irão.

A liberdade sempre é o melhor caminho para as relações entre indivíduos. É uma pena que nossos políticos não pensem assim, e continuem a ter tanto poder sobre nossas vidas, culminando fatalmente em políticas públicas de fracassos gigantescos, e na morte ou encarceramento de milhares de cidadãos.

 

Referências

[1] http://www.justica.gov.br/noticias/populacao-carceraria-brasileira-chega-a-mais-de-622-mil-detentos

[2] http://www.justica.gov.br/noticias/mj-divulgara-novo-relatorio-do-infopen-nesta-terca-feira/relatorio-depen-versao-web.pdf

[3] http://mercadopopular.org/2017/01/guerra-as-drogas/

[4] http://www.sicad.pt/PT/Cidadao/DesConsumo/Paginas/default.aspx

[5] https://awebic.com/democracia/como-portugal-descriminalizou-as-drogas-e-e-um-exemplo-para-o-mundo/

[6] http://epocanegocios.globo.com/Mundo/noticia/2017/02/colorado-nos-eua-vende-mais-de-us-1-bilhao-em-maconha-em-2016.html

[7] https://www.studentsforliberty.org/legalizacao-drogas-eua-traficantes-mexicanos

[8] http://spotniks.com/confira-o-que-esta-acontecendo-colorado-9-meses-apos-legalizacao-da-maconha/

[9] http://g1.globo.com/mundo/noticia/legalizacao-da-maconha-nao-diminuiu-trafico-no-uruguai.ghtml

[10] http://g1.globo.com/bom-dia-brasil/noticia/2015/03/cigarro-e-item-mais-contrabandeado-no-brasil-aponta-pesquisa.html

[11] http://www.amanha.com.br/posts/view/1800/souza-cruz-encerra-producao-de-cigarros-em-unidade-do-sul

[12] http://noticias.r7.com/rio-de-janeiro/noticias/lucro-com-a-maconha-ultrapassa-os-1-500-em-favelas-do-rio-20101227.html

[13] http://exame.abril.com.br/economia/legalizar-maconha-poderia-render-ate-r-6-bi-em-impostos/

Jefferson Paixão é graduando em Engenharia de Produção pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM). Tem grande interesse pela área de economia e políticas públicas, e é membro do Clube Ajuricaba, ligado ao Students For Liberty Brasil em Manaus, Amazonas.

@jeffersn (twitter.com/jeffersn)

“Liberdade”, de Nicolas Jr.: a liberdade de errar como condição de existência da liberdade humana

 

Por Eric Carro

Nicolas Júnior é um dos grandes destaques da música amazonense. Suas letras, marcadas por expressar a realidade, sem abrir mão da linguagem poética indispensável à boa música, com tons do bom humor, são de apreciação indispensável a quem valoriza Manaus, Amazonas, e a Região Amazônica como um todo.

As músicas mais lembradas são Geisislaine, Viagem Insólita de um Caboclo e O Amazonês. Nos dois volumes de Divina Comédia Cabocla, mesmo aquele que eventualmente não simpatizar com o teor das faixas musicais deve admitir que é um excelente retrato, um recorte, do imaginário de um povo à sua época.

Em Parabólicas, uma importante crítica à classe política amazonense, especificamente em Manaus, é latente, além de expressar as aflições e angústias do cidadão comum que de alguma forma se preocupa com matérias de esfera pública:

Quantas ruas vão ter de duplicar?

Já existe até rebelião

Tem programa local de televisão

“Sou o olho e a voz do cidadão”

Exibindo a miséria humana

Pensando na próxima eleição”

Com esse destaque, crítico àqueles que oferecem migalhas em troca de votos em decorrência de audiência, nota-se de certo modo coragem em criticar a realidade social que nos circunda, destoando da “imaginação idílica” e próximo daquela pessoa concreta, ou seja, o amazonense que faz a leitura da realidade conforme o que observa e sente de fato. Não se restringe apenas às belezas amazônicas, mas a seus contrastes, que permeiam nossas vidas e influenciam, direta ou indiretamente, no cotidiano e na personalidade de um povo.

Porém, o objeto do presente texto não esgotar essa playlist de músicas marcantes, divertidas e críticas. A música em questão, de autoria de Nicolas Júnior, chama-se Liberdade:

Segue o teor da música, curta porém aberta a profundas interpretações:

Eu quero ter a liberdade de escolher o que eu bem quiser ser.

Não quero seu bom senso me julgando por ter sido eu e não você.

Me deixe cometer todos os erros ainda que seja para aprender

Eu quero uma vida convivida e não vivida apenas por viver

Me deixe escrever o meu destino, ainda que seja em linhas tortas.

Eu quero é sair pela janela mesmo que você me abra as portas.

Se ao menos me pudesse compreender

O porquê de tudo isso ser assim

É simples, eu jamais serei você e você não está em mim.

Eu vou ser sempre assim do jeito que me convém

Princípio, meio e fim.

Viver é o que me importa, meu bem.

Ouvindo a música pela primeira vez, lembramos daquela pessoa irritante que vive tentando dar conselhos sobre a nossa vida, e a vida alheia de modo geral, e não consegue resolver a sua. Pessoa essa que nos alerta de riscos não por amizade, mas por saber que a recompensa por ter assumido o risco é eminente, e pela infeliz tática do caranguejo no balde, não admite ver o outro tendo sucesso.

Não só a essa referência do cotidiano, que cada um de nós já deve ter vivido, ou mesmo ter sido a pessoa que se meteu na vida alheia, é uma expressão do “não é da sua conta” para aquilo qu e não causa nenhum dano a terceiro. A letra pode ser vista, no entanto, como um manifesto da individualidade humana. A valorização da singularidade e das peculiaridades de cada ser humano. A valorização do indivíduo em sua vida em sociedade, sempre sujeito a erros, ainda que seja para aprender, como diz a música.

Nessa linha, é latente a noção de que nós somos senhores de nossos próprios destinos. O homem é um fim em si mesmo, e não o meio para atender finalidades alheias à sua vontade. É um ser autônomo e capaz de decidir o que é melhor para si. No dizer de John Stuart Mill, Sobre seu próprio corpo e mente, o indivíduo é soberano”.

Mesmo a liberdade humana nos deixando sujeitos a erros, muitas vezes avessos ao “common sense” (bom senso), é essencial para o significado de nossa existência, ganho de autonomia individual, bem como senso de responsabilidade, estarmos sujeitos a cometer erros.

A ideia de proibir que outras pessoas errem, no entanto, não é do monopólio dos intrometidos, ou no dicção do bom amazonês, do “enxerido”. O “enxerimento” é característica marcante dos Estados de Bem-Estar Social, bem como dos regimes totalitários.

Para melhor explicar o que se pretende trazer aqui, cabe menção a Ludwig von Mises, que tratou muito bem do tema em suas palestras resultantes no livro As Seis Lições, como segue:

A partir do momento em que começamos a admitir que é dever do governo controlar o consumo de álcool do cidadão, que podemos responder a quem afirme ser o controle dos livros e das ideias muito mais importante? Liberdade significa realmente liberdade para errar. Isso precisa ser bem compreendido. Podemos ser extremamente críticos com relação ao modo como nossos concidadãos gastam seu dinheiro e vivem sua vida. Podemos considerar o que fazem absolutamente insensato e mau. Numa sociedade livre, todos têm, no entanto, as mais diversas maneiras de manifestar suas opiniões sobre como seus concidadãos deveriam mudar seu modo de vida: eles podem escrever livros; escrever artigos; fazer conferências. Podem até fazer pregações nas esquinas, se quiserem – e faz-se isso, em muitos países. Mas ninguém deve tentar policiar os outros no intuito de impedi-los de fazer determinadas coisas simplesmente porque não se quer que as pessoas tenham a liberdade de fazê-las.”

Nesse sentido, cabe aqui também trazer observação de Steve Horwitz:

A justificativa para a liberdade humana, portanto, não é que somos tão sábios e sensatos ao ponto de sermos capazes de gerir nossas próprias vidas perfeitamente bem, mas sim que não somos tão sábios e sensatos individualmente, e que a única maneira de nos tornarmos mais sábios e sensatos é aprendendo uns com os outros.

Tal aprendizado requer liberdade para inovar e liberdade para imitar. E deve envolver algum tipo de processo confiável que seja um indicador de sucesso. Nenhum de nós sabe o bastante para gerir nossas próprias vidas impecavelmente, e nem muito menos para gerir as dos outros. E é exatamente por isso que precisamos de liberdade — principalmente liberdade econômica — para experimentar, acertar, errar, ser bem-sucedido, fracassar e imitar os outros para aprimorar.”

Particularmente, não sei se a intenção do autor da letra era chegar a este ponto. No entanto, ainda que não fosse, descreveu de forma resumida e precisa o fundamento da liberdade humana e da inconveniência de um terceiro (seja o “enxerido”, seja um aparato estatal) lhe dizendo o que é melhor para você por supostamente não saber o que é melhor para si próprio. O tolhimento da liberdade é, enfim, o tolhimento do processo de descoberta, e consequentemente um empecilho para todo o progresso humano.

Referências:

MISES, Ludwig von. As seis lições. Tradução de Maria Luiza Borges. 7ª edição. São Paulo: Instituto Ludwig von Mises, 2009.

http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=2485

https://www.youtube.com/watch?v=_PyR4mAARwA