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“Índia Lua”, de Antônio Pereira – uma alusão à imagem feminina da história indígena

Antônio Pereira em interpretação de “Índia Lua”.

 

Por Alexandre Neves Solórzano

A música popular amazonense traz consigo artistas dos mais variados gêneros e estilos musicais, sem o necessário enfoque às tradições da nossa cultura ou nossa história repleta de detalhes memoráveis e que valem a pena serem contados. Antônio Pereira é um dos artistas mais conhecidos da região norte do país, principalmente pela sua inconfundível voz e presença na cena musical de Manaus, sendo reconhecido pelo meio universitário desde os anos 1980, quando iniciou sua carreira musical. Dentre suas diversas canções que fazem alusão à cultura amazonense, “Índia Lua”, do álbum “Afluentes” (2007), é a que relata em forma de carta, ou quase isso, a perspectiva de uma mulher indígena que sente o choque da invasão europeia nas terras brasileiras.

“Dizem que tua gente se perdeu no clarão do dia, que uma nuvem escureceu […]” é o verso que abre a poesia direcionada à imagem personificada da alma feminina da história indígena, que observa sua cultura sendo roubada ou findada, de certa forma. O restante dos versos evidenciam uma espécie de constância na presença indígena sobre a persistência das matas, como se houvesse um elo entre lar e morador. Afinal, ainda há ali o “pranto lunar” da índia, que retorna com a lua, o que pode sugerir a eternização da mata como casa do povo nativo, como algo que fora roubado fisicamente séculos atrás, e não em espírito, não de forma definitiva:

“Muito acima dos verdes lençóis dessas matas
teus olhos vigiam sem cessar.
E estas matas guardam teus segredos,
índia, minha irmã.
Guardam teus segredos, minha irmã.
Teu pranto é lunar, teu olhar lunar,
Teu pranto é lunar, teu olhar lunar.”

A canção possui uma melodia calma, que pode levar o ouvinte a refletir sobre o que está sendo dito, além de conseguir surtir o interesse em estudar um pouco mais a cultura amazonense e, obviamente, em buscar os variados artistas que são do Norte e produzem arte de conteúdo invejável. Não deixem de conferir a canção “Índia Lua”, de Antônio Pereira, compositor que possui um repertório espetacular, canções autorais que retratam diversas questões existenciais e que possui habilidades poéticas diversas. Boa apreciação!

Link da canção no YouTube: https://youtu.be/N-lMY7hUpTo

 

Alexandre Neves é diretor de comunicações do Ajuricaba, aluno da UFAM e criador do projeto Versos de Cascavel.

Braga contra a privatização? Entenda o real motivo.

INSTITUTO AJURICABA
Artur Fonseca | 11 de Fevereiro de 2018

Na última quinta (08) a assembleia geral de acionistas da Eletrobrás aprovou a privatização das seis distribuidoras de energia no Norte e Nordeste do país. A intenção da empresa é leiloar as distribuidoras até o dia 30 de abril. Cada uma delas terá valor simbólico de 50 mil reais.

As distribuidoras pertenciam a governos estaduais, mas foram assumidas pela Eletrobrás no fim da década de 1990. A intenção era privatizá-las em seguida, mas elas ficaram quase 20 anos nas mãos da estatal. Nesse período, elas geraram prejuízo de mais de 20 bilhões de reais.

Ex-ministro de Minas e Energia (MME) do governo Dilma, o senador  Eduardo Braga postou em suas redes sociais um texto onde se posicionava contra a privatização da Eletrobrás:

Privatizar significa um grande risco, principalmente para o povo do interior do nosso estado. Não vou deixar de lutar contra isso!” escreveu o senador, logo acima de uma imagem apelativa de funcionários da Amazonas Energia carregando um poste de luz com água até a cintura.

Post na página oficial do senador no Facebook, logo acima dos comentários de assessores.

Entretanto, o que Braga não disse em seu texto é que ele próprio é um dos maiores responsáveis pelo caos financeiro que tomou conta da estatal de energia. Responsável pelo MME entre Janeiro de 2015 e Abril de 2016, Braga transformou o já pequeno lucro trimestral da Eletrobrás e o transformou em um déficit bilionário.

Só na Amazonas Energia, a divida repassada aos consumidores foi de mais de R$ 9 bilhões e no Piauí, cujo governo entrou no STF para barrar a privatização da distribuidora local, o prejuízo beira os R$ 3 bilhões, além da situação financeira da subsidiária ser tão precária a ponto de não interessar potenciais compradores.

Ávido para agradar sua base eleitoral, Braga gastou dinheiro da estatal com vários projetos populistas que só aumentaram o déficit da empresa, além de ter sido denunciado pelo senador Ronaldo Caiado (DEM) de fazer “negociatas” em operações do ministério em Goiás.

Portanto, a privatização de estatais como a Eletrobrás será um alívio tanto nas contas públicas quanto para os serviços prestados aos consumidores, que sofrem com uma estatal usada há décadas como cabide de emprego e corrupção generalizada.

Políticos tradicionais estão desesperados com o pacote de privatizações do governo Temer justamente porque ele mexe com gigantescas fontes de ativos financeiros ilegais e eleitorais. Deputados e senadores que loteiam estatais há décadas terão agora que se virar para arrumar outras negociatas para se manter no poder. Ou seja, a privatização beneficia a todos, menos os políticos. E é exatamente por isso que devemos defende-la.

Artur Fonseca foi coordenador regional do Students for Liberty Brasil (SFLB) e atualmente preside o Instituto Ajuricaba.

O Estado quer controlar até o seu WhatsApp – PLC 347/2016

INSTITUTO AJURICABA
Caio Gibbs | 09 de Fevereiro de 2018 | Política

Nesta quarta-feira (07) foi aprovado pela Comissão de Constituição, Justiça (CCJ) do Senado um projeto de caráter intervencionista que, sem qualquer respeito pela propriedade privada, objetiva a regulação sobre grupos de redes sociais (Whatsapp, Telegram, Facebook, etc).

O PLS 347/2016, de autoria da senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) altera o Marco Civil da Internet (Lei nº 12.965/2014), determinando que os usuários das redes sociais sejam consultados antes de serem incluídos em grupos, cadastros e afins.

 “Art.11-A. Nas aplicações de redes ou mídias sociais, ficam condicionadas ao prévio consentimento do titular dos dados:

I – a inscrição, o cadastramento ou a criação de contas;

II – a inclusão em rede ou mídia social, bem como em seus respectivos grupos, páginas, comunidades e similares;

III – o encaminhamento de convite, em nome do titular dos dados, para participação em rede ou mídia social”.

A princípio este projeto parece ser apenas mais um devaneio de uma mentalidade estatista, além de uma medida sem qualquer utilidade, afinal, não cabe ao estado definir como as empresas privadas provedoras de aplicações de redes e mídias sociais devem se relacionar com seus usuários.

No entanto, propostas como essa avançando no senado revelam a perigosa mentalidade totalitária que prevalece na política brasileira. A intervenção estatal nos campos mais íntimos da vida privada, o vil desprezo a propriedade e o paternalismo exacerbado são combustíveis para a tirania do Estado e devem ser incansavelmente combatidos.

 O Estatismo é perigoso, destrói a liberdade e, uma vez estabelecido, é extremamente difícil de eliminar.

 

Caio Gibbs é membro da Diretoria do Instituto Ajuricaba e acadêmico da Universidade do Estado do Amazonas.

Instituto Ajuricaba e a gestão 2018-2020

 

 

 

 

 

 

 

  Por Alexandre Neves Solórzano

  O ano de 2018 começou com uma atmosfera de reestruturação na ala administrativa do agora Instituto Ajuricaba, que teve sua sétima assembleia iniciada no dia 3 de fevereiro às 15 horas em ponto e findada às 18h30. A chapa presidencial eleita pelos presentes na assembleia foi a que trazia Artur Fonseca como presidente e Paulo Alberto integrando a posição de vice. O restante da diretoria irá incluir os nomes Alexandre Nascimento, Erica Priscilla, Erick Farley, Eduardo Gibbs, Vivianne Santos e Alexandre Neves Solórzano, que ajudarão, pelos próximos dois anos, a executar e criar projetos pelo Instituto Ajuricaba em nome da liberdade dentro do estado do Amazonas.

  Os selecionados por voto para ocupar as vagas dentro do Conselho de Ética do IAju foram: Haslley Queiroz, Alex Chang, Júlio Lins, Erick Farley e João Pedro Lauand. Já no Conselho Fiscal têm-se os nomes Gabriel Mendes, Erica Priscilla e o antigo tesoureiro e também fundador Renato Augusto.

  O ano de 2018 promete ser o início de projetos ricos para o ideal do Instituto Ajuricaba, assim como será um ano de testes com relação às mudanças ocasionadas pela aplicação de um novo estatuto que, dentre uma de suas mudanças, aumenta um ano no mandato da gestão eleita, totalizando, então, dois anos de atuação.

  O Instituto Ajuricaba celebra sua nova etapa e torce para que os parceiros do Brasil e do mundo possam plantar e colher frutos positivos de suas ações em prol da liberdade.

 

Renato Augusto e Erica Priscilla
Paulo Alberto e Artur Fonseca
Da esquerda para a direita: Haslley Queiroz, Alex Chang, Júlio Lins, Erick Farley e João Pedro Lauand

Resenha: “The Logical Song” (Supertramp) e o sistema educacional inquisidor

Por João Pedro Lauand

 

O período entre os meses de novembro a meados de fevereiro são normalmente marcados no calendário acadêmico das universidades brasileiras pela realização de vestibulares e pela divulgação dos aprovados nos mesmos. Entre aqueles que são estudantes dos ensinos médio ou superior ou que são adultos graduados que prestam exames somente para averiguarem seus conhecimentos ou para avaliarem os exames em si, críticas relacionadas ao método de avaliação de tais vestibulares, e até mesmo ao próprio sistema educacional brasileiro não são incomuns.

Não são incomuns pelo fato de a estrutura do ensino público brasileiro se basear em um modelo essencialmente conteudista, ou seja, um que preza não pelo ensino personalizado baseado nas preferências de cada aluno e pelo ensino de conhecimentos práticos da vida em sociedade (aqui podemos citar empreendedorismo, retórica, política, dentre outros), mas sim pela obrigatoriedade de “ensino” de uma carga curricular extensa, desinteressante e que pouco reflete nas posteriores vidas acadêmica e profissional dos estudantes, e somente prepara para exames que não refletem a realidade, que exigem uma única resposta em questões de interpretação (não são raras as questões que pedem a alternativa “mais correta”) e que são passíveis de manipulação ideológica de burocratas, políticos e reitores de universidades.

Engana-se, todavia, que tal realidade seja recente e exclusiva ao Brasil. Nações desenvolvidas passaram por críticas semelhantes quanto à rigidez do modelo de ensino principalmente durante as décadas de 1970 e 1980. A maioria, em maior ou menor grau conseguiu solucionar parte dos problemas e hoje, mais do que há 40 anos, se tornaram centros de referência de ensino no mundo. Mas isto não significa que as críticas tenham sido menos brandas em 1979.

Afinal, com os anos 1970 chegando aos seus últimos suspiros, época em que boa parte da população mundial repousava suas esperanças em um futuro menos conflituoso e menos impactante para a economia global, depois de um retrospecto recente de ascensões e quedas de regimes autoritários, ditatoriais de esquerda e de direita na Europa, África e América Latina, revoluções islâmicas no Oriente Médio e crises internacionais decorrentes do aumento do preço do barril de petróleo, é natural que a paciência da maioria dos setores destas sociedades não estivesse em alta com seus governantes (não é mesmo Nixon?) acerca de quase qualquer matéria.

E era na arte popular e na cultura de massa aonde a sociedade encontrava um terreno fértil para questionar os modelos educacionais vigentes, com críticas ácidas quanto à hipocrisia da disciplina rígida e da padronização do pensamento sem a abertura de liberdade de expressão para os alunos. E o ano de 1979 trazia cada vez mais álbuns com forte teor contestador de tal realidade, geralmente relacionadas aos estilos do “folk” e do rock progressivo, este o qual estava próximo de alcançar seu auge na história do rock. Em virtude do segundo estilo musical, muitos associam a rejeição ao que se tinha como suprassumo da educação do “futuro da nação” ao lançamento mais importante daquele ano, “The Wall” da banda britânica Pink Floyd lançado em novembro, que continha a clássica “Another Brick in the Wall”.

Entretanto, outro álbum importante para a história da música, lançado em março do mesmo ano, trazia uma música que embora tratasse do mesmo assunto com outra ênfase, foi tão importante quanto à canção do Pink Floyd para a contestação do modelo de educação dos países de língua inglesa. Trata-se do álbum “Breakfast in America” da banda Supertramp, liderada por Roger Hodgson e Rick Davies, que trazia o maior sucesso comercial da banda, a famosa música lógica ou “The Logical Song”.

O nome desta canção se deve por ela se tratar de uma história que poderia ser associada com a de boa parte dos jovens britânicos, em que aos poucos perdem a inocência e liberdade da infância e conforme os anos de escola se passam acabam se tornando mais conformados com o sistema em que estudaram e menos estimulados a pensar e questionar por conta própria, abandonando ideais próprios em favor do que burocratas e professores queriam que aqueles pensassem, algo que ainda é mais forte, porém não exclusivo, de ditaduras autoproclamadas.

Ao começar a música com “When I was young it seemed that life was so wonderful, a miracle, oh it was beautiful, magical. And all the birds in the trees, well they’d be singing so happily, oh joyfully, oh playfully, watching me”, Hodgson se refere ao período antes de ser matriculado na escola, em que tudo, na visão de uma criança despreocupada, era belo, mágico, e alegre. Tal realidade muda logo em seguida, no trecho “But then they send me away, to teach me how to be sensible, logical, oh responsible, practical. And then they show me a world where I could be so dependable, oh clinical, oh intellectual, cynical”, em que após o período feliz inocente e livre da infância, a maioria dos estudantes entra em um ambiente mais preocupado com resultados do que com a qualidade de ensino, mais preocupado em padronizar os alunos de forma que todos ajam sob uma mesma lógica; a de serem práticos, “confiáveis, clínicos, intelectuais e cínicos”.

Por mais que a maioria destes adjetivos, ao analisa-los separadamente, demonstrem boas características, no sentido da música ao serem expressos no mesmo trecho reforçam um contraste (o qual se pode adaptar à realidade brasileira) entre o anterior ao ingresso escolar, em que havia a plena liberdade de expressão individual da criança e do jovem; e o posterior, no qual ao se matricularem na maioria das escolas mais bem classificadas nos índices nacionais, sejam elas privadas, públicas ou militares, perdem esta liberdade e precisam ser adequados de uma forma que pouco questionem o sistema em que estão inseridos e que ajam de forma fria e “cínica” em busca dos melhores resultados em vestibulares que por sua vez também não abrem margem para livre interpretação ou exercício de crítica aos mesmos, nem admitem outras conclusões que fogem da cartilha ideológica de reitores e burocratas.

O ápice deste contraste é perceptível a partir do momento em que, apesar das eventuais pressões institucionais, conforme os alguns alunos vão ganhando maturidade suficiente para se questionarem sobre sua própria identidade e para questionarem seus professores se o modelo de educação que recebem é o mais adequado e por que o mesmo não poderia ser diferente, conforme explícito no trecho: “Won’t you please, plase tell me what we’ve learned? I know it sounds absurd. But please tell me who I am.”.

O corpo docente então, se divide em quatro grupos: os que simplesmente não se importam; os professores mais associados com a esquerda autoritária, os quais possuem mais influência nas universidades e no MEC que estimulam seus alunos a se “rebelarem contra o sistema” apenas para reforçarem seus vícios contra a liberdade de pensamento; os mais associados à direita autoritária, que tentam por meio da rigidez extrema, em alguns colégios militares, a criar um sentimento saudosista ao regime militar em seus alunos; e por fim os que estão cientes do problema, mas que por causa das dificuldades ideológicas e burocráticas pouco pode fazer para melhorar a situação.

Desta forma, principalmente se você possui uma opinião contrária ao status quo educacional, seja na Inglaterra de 1979 seja no Brasil de 2018, muitas vezes a recomendação tomada infelizmente é “Now watch what you say or they’ll be calling you a radical, a liberal, oh fanatical, criminal”, ou seja, para que o estudante não discuta, senão será chamado de liberal no caso inglês, ou “fascista” ou neoliberal no caso brasileiro, e será demonizado seja diretamente nas universidades, o qual será taxado por professores autoritários de um radical extremista contra os pobres, e todos aqueles clichês de sempre; ou indiretamente pelo viés ideológico velado de boa parte dos vestibulares.

Por fim, a música traz de forma irônica o objetivo final de todo governo agigantado: o de ter cidadãos incapazes de questionarem as ações do mesmo seja pelo sistema de educação que padroniza os alunos ao invés de exaltar e fazer valer a individualidade dos mesmos, seja pela censura de quem percebe essa padronização e possui ideologia contrária aos burocratas do sistema. Como traz o trecho mais importante da música: “Oh, won´t you sign up your name? We´d like to feel you´re acceptable, respectable, oh presentable, a vegetable”, o que o governo mais quer é que você não o questione, mas sim seja um aceitável, respeitável e apresentável vegetal diante das ações do mesmo.

Assim sendo, como todo bom clássico do rock, a obra prima de Roger Hodgson traz consigo uma mensagem crítica atemporal seja qual for o país que passe por uma crise em seu sistema educacional. E tal mensagem, nada mais nada menos, é de jamais nos calarmos diante da padronização do pensamento, e defendermos sempre o nosso direito mais sagrado, assegurando assim a liberdade de expressão de todo estudante, por mais que a esquerda autoritária o chame injustamente de fascista, por mais que o desejo velado do MEC seja que todos sejamos vegetais adestrados, pois não existe atentado maior a individualidade de um estudante que a supressão de suas ideias.

Resenha e opinião: “JFK: A Pergunta que não quer calar”

 

Por: Marco Gavião

 

O filme estadunidense JFK (no Brasil JFK: A Pergunta que não quer calar), lançado em 1991, dirigido por Oliver Stone, baseado nos livros Crossfire, de Jim Marrs e Na Trilha dos Assassinos de Jim Garrison, personagem principal da história, interpretado no filme por Kevin Costner, mostra a sua batalha contra o governo americano para provar que a morte de John Fitzgerald Kennedy em 1963 havia sido uma conspiração de organizações estatais como CIA, FBI e a própria Casa Branca. Após a morte de Kennedy, foi criada a Comissão Warren, nomeada em homenagem a Earl Warren, presidente da Suprema Corte e líder da comissão criada para investigar as circunstâncias do caso. A mesma atestou que a morte de JFK havia sido realizada por Lee Harvey Oswald, em três disparos efetuados no sexto andar do Texas School Book Depository, tendo em seguida assassinado outro policial e sendo preso na sequência. Oswald seria assassinado no dia seguinte por Jack Ruby. De acordo com a comissão, nenhum agente do governo, nem Oswald e Ruby, haviam agido sob conspiração, apesar de constatados erros na segurança do presidente durante o ato oficial em que estava ao momento de sua morte.

Contradições visíveis foram vistas pelo promotor de Nova Orleans Jim Garrison e sua equipe, que três anos depois da morte, voltaram a investigar o caso. Após investigar a vida de Oswald, a equipe descobre que ele fazia parte de uma guerrilha formada por dissidentes cubanos e apoiadores com o objetivo de voltar a atacar Cuba, sendo financiados pelo FBI, à revelia de Kennedy, que havia recuado em invadir novamente a ilha. Indo mais a fundo, Garrison descobre a segurança de JFK havia sido sabotada pelo Estado, com uma quantidade reduzida de seguranças, seguindo por uma rua plana e com diversas janelas abertas, atitudes fora do protocolo do Serviço Secreto. Ao longo que a investigação avança e Garrison fica cada vez mais próximo de achar suas respostas, começa a ser proibido de ter acesso a dados públicos, além dos dados já negados ao próprio, como a Comissão Warren e a autópsia de Kennedy. Ao indiciar Clay Shaw, interpretado no filme por Tommy Lee Jones, um empresário que tinha ligações com o FBI e havia ajudado a confabular a morte de JFK, Jim consegue trazer a júri diversas provas que mostravam como era infundada a possibilidade de Oswald ter matado Kennedy sozinho, como a trajetória das balas, a qual o governo atribuía diversas curvas impossíveis de realizar-se como explicação para os múltiplos ferimentos; e a autópsia incompleta, devido às ordens de agentes e membros do exército, que impediram os legistas de ter uma análise mais completa do corpo. Apesar de todas as provas apresentadas, Shaw foi considerado inocente e Garrison foi ridicularizado pela mídia e por parte da sociedade norte-americana.

Apenas em 2017, o atual presidente Donald Trump liberou a público os dados da Comissão Warren, a qual mostrou parte do processo investigativo do caso. Porém ainda há várias coisas que não foram explicadas acerca do caso e que talvez nunca venham à tona. É dever de qualquer Estado democrático mostrar todos os processos que a constituem, ainda mais de um caso tão importante quanto a morte de um presidente americano. Realizar testes balísticos e autópsias sob portas fechadas, sem acesso posterior da população, além de desrespeitoso a memória de John, sua viúva Jackie Kennedy, é um desrespeito à população estadunidense, que sentiu sua morte e tinha direito de saber o que realmente havia acontecido. A medida que o Estado deixa informações de um caso tão relevante às escuras, fere um princípio básico da democracia, a qual o Estado jura defender. Enquanto o mesmo tiver poder suficiente para esconder questões fundamentais para a população, ele só perpetuará o seu poder, às custas da alienação da sociedade.

“Todos esses documentos são seus. A propriedade do povo, vocês pagam por isso! Mas porque o governo considera vocês crianças que podem considerar muito perturbador ou angustiante enfrentar essa realidade, ou porque vocês podem linchar os envolvidos, vocês não poderão ver esses documentos por mais setenta e cinco anos.” – Jim Garrison

Resenha: “Will to Power”, da banda Arch Enemy

 

Por: Nícolas Azevedo

   No oitavo dia do mês de setembro do ano de 2017, a banda de Melodic Death Metal Arch Enemy lançou seu décimo álbum, chamado de “Will To Power”. Muito aclamado pela crítica e pelos fãs da banda, possui músicas que possuem um significado mais profundo do que apenas gritos e guturais, pois expressam revolta, insatisfação, além de denunciar as barbáries da história ainda presentes na atualidade, e, principalmente, a vontade de ser livre do atual sistema corrupto.

   Como no single “The Race”, onde é denunciado a tentativa de controlar as pessoas, com a intenção de satisfazer as vontades de líderes políticos. São mostrados os incentivos dados aos indivíduos para se manterem em suas respectivas atividades, confiando em seus líderes, em seu sistema e, principalmente, a jamais questionar as autoridades. É evidente o autoritarismo empregado por inúmeros governos, tanto na atualidade quanto no decorrer da história, sendo a total servidão ao governo a principal ferramenta para a manipulação social a partir de suas vontades.

   Já nas músicas “The World is Yours” e “The Eagle Flies Alone”, a banda demonstra a indignação a respeito das mentiras contadas por instituições superiores, e também pela forma como as mesmas controlam as vontades individuais das pessoas. Por isso, elas incentivam a superação do atual status quo, para que a sociedade se torne algo moralmente superior a tais instituições. E para combater esse maquiavelismo, suas palavras inspiram o crescimento das pessoas a partir de suas próprias vontades, sem depender de pensamentos de outros, por mais que seu caminho seja solitário e contra o pensamento comum.

   A partir dessas informações, é visível a defesa pela liberdade individual no novo álbum de Arch Enemy. Suas semelhanças com o pensamento liberal são inúmeras, e suas letras também representam muito bem a situação dos liberais na atualidade, que não recebem a devida atenção e são taxados como autoritários e defensores de sistemas totalitários, mesmo quando já se declararam contra tais posturas. E o álbum, por mais que tenha sido expressado sua revolta em tom raivoso e sendo muitas vezes ser confundido com aspirações à anarquia, não deixa de ser uma expressão contra o status quo, e a favor de uma sociedade mais livre, que aprendeu com os erros do passado e evoluiu a partir disso, agindo bem como o liberalismo contemporâneo.

O Exame Nacional do Ensino Médio nunca foi sobre o Ensino Médio

Por Lucas Bellinello

O exame nacional do ensino médio, ENEM, realizado no último domingo, mal tinha acabado e já era chamado de comunista. A prova abordou questões sociais, desde o controle de armas até incentivos e regulamentações para obrigar a participação de mulheres em Partidos Políticos. E se alguém por algum motivo ainda pensa que o ENEM é uma forma de avaliação, lamento informá-lo, a prova nunca teve este objetivo.

Pode parecer masoquismo, talvez até seja masoquismo, mas desde 2013 reservo dois dias do meu ano para ver o quanto estamos gastando uma fortuna para continuar errando na educação e acertando em um programa de ideologização (doutrinação) em massa. Com essa experiência anual posso perceber que os estudantes são testados se de alguma forma vem absorvendo as informações socialistas que receberão em toda sua vida acadêmica.

Apenas este ano o ENEM abordou: porte de armas como responsável pela morte de crianças, usou trecho de música de Chico Buarque, citou filmes de Wagner Moura, Picasso e até elogiou a duvidosa beleza de Frida Kahlo. Vale lembrar que nos anos anteriores também tivemos a citação de Paulo Freire, Lenin e Simone de Beauvoir, elogios ao Feminismo e até exaltação a revolução russa, responsável por milhões de mortes.

Enquanto muitos intelectuais e simpatizantes de esquerda estão celebrando, o MEC divulgou que em 2016 o gasto total com o exame alcançou a bagatela de R$ 788 milhões. Bem cara, não?

Para alguns pode parecer teoria da conspiração que o ENEM visa implantar uma determinada ideologia, mas o que é bem claro é que o ENEM custa caro demais para continuar sendo aplicado e que as questões ofertadas anualmente no Caderno não são parciais e nem tem por objetivo avaliar coisa alguma de educação.

 

*Lucas Bellinello é graduando em Direito pela Universidade de Cuiabá, uma das lideranças do Students For Liberty Brasil, integrante do Movimento Brasil Livre, membro do Instituto Liberal de Mato Grosso e YouTuber do canal Sentinelas da Liberdade.

Resenha: The Headmaster Ritual (The Smiths) – a obra atacando o atraso educacional

Por Alexandre Neves Solórzano

Nos meados da década de 1970, Morrissey, vocalista dos Smiths, banda britânica que recheou os anos 1980, cursava o seu segundo grau em alguma escola de Manchester (RU). Os ingleses parecem compadecer-se com aqueles que percebem uma certa violação, sentimento que se torna legítimo quando exposto por quem alega a necessidade de ser e sentir-se “livre”, de qualquer forma, mas “livre” do que parece ser uma corrente durantes anos a fio. Um sistema educacional atrasado educa seres humanos para outra época, um momento já não condizente com a atual realidade. Essa situação agride jovens de países desenvolvidos e subdesenvolvidos, o que descarta apenas o fator econômico das nações.

A canção que trago ao público é do álbum Meat Is Murder, de 1985, e é um tanto quanto hiperbolizada, com associações bem loucas entre um presídio e uma escola. Fantasmas bélicos comandam as escolas de Manchester é a frase que abre a canção, e dá para extrair daí a revolta do já adulto Morrissey, que tem o seu momento de escola como um dos piores da sua vida. Você já se sentiu assim? Isso nos leva a pensar sobre a eficiência de algo que nega virtudes, que vai na contramão do individualismo natural de cada ser humano. Foca-se, novamente, na imagem de uma liberdade intelectual furtada, de um coletivismo enfiado goela abaixo em quem passa pelo sistema, já demonstrados na resenha do álbum The Wall, da banda Pink Floyd, também britânica.

Ao longo da canção, tem-se uma rotina de agressões e abusos sofridos pelo eu-lírico, como cotoveladas, xingamentos e um tratamento semelhante ao de um quartel. O professor lidera as tropas, com inveja da juventude, o mesmo terno velho desde 1962 evidencia uma postura autoritária por parte dos profissionais em questão. A crítica vai de um relato pessoal a um cenário repleto de detalhes que possibilitam e incentivam tratamentos assim: a simples obrigação de aprender matérias que não são de seu interesse, como fosse um bebê incapaz, é, em si, uma atitude autoritária. Não é precisa levar umas porradas para entender que você não está num lugar por vontade própria, tampouco se esse lugar é um ambiente hostil, como o retratado na canção. O apelo do garoto que deseja ir para casa não poderia exemplificar melhor o que é sentir a limitação na pele, mesmo que não se entenda isso.

Como conclusão, vale indicar toda a obra dos Smiths, que possui um abrangente conteúdo existencialista, crítico-social e também focado nas questões da juventude. Eu quero ir para casa, eu não quero ficar aqui é a emblemática frase dita tão fortemente pelo vocalista, que pode ser remetida a todos os ambientes onde o sistema de ensino carece de uma renovação. Essa parte que nos toca, a educação, é o foco central de qualquer pudor pelo desenvolvimento e pela liberdade. Morrissey exagerara tanto assim ao associar casos de violência à rotina escolar? Limitar conhecimento em prol de uma suposta disciplina não pode ser tido como uma violência? Cabe a nós interpretarmos as obras que estão sendo indicadas por aqui e construirmos uma linha lógica para averiguar a veracidade dessas críticas. Ouça a canção e tire suas próprias conclusões!

A Alegoria da Caverna e a Máquina Política Atual

Por Bernardo Belota

 

“A parte que ignoramos é muito maior que tudo quanto sabemos.”-Platão

 

I-Introdução:

Primeiramente, se você é do tipo de pessoa que gosta de ver “O futuro repetir o Passado” ou gostaria de ver de uma outra perspectiva o atual contexto político e social brasileiro, você terá a oportunidade de dispor de uma leitura aprazível. A proposta deste é, a partir de uma comparação com o mito da caverna de Platão, questionar o quanto a sociedade e a política mudaram. Teriam elas se diferenciado tanto dos modelos do século IV a.C, onde a democracia grega vigorava? Isso é o que de uma forma conjunta, refletiremos.

 

  • Um breve comentário sobre o autor:

Platão (Arístocles) viveu durante o período clássico da Grécia Antiga (Séculos V a.C – IV a.C), mais precisamente durante os anos de 427 a.C a 347 a.C. Ele foi discípulo do filósofo Sócrates. É considerado um dos maiores pensadores de toda a filosofia. Sua principal ideia é baseada na dualidade de mundo, na qual existe o sensível, que pode ser compreendido pelos sentidos e é uma mera cópia de objetos reconhecidos pela alma. Existe também o inteligível, lugar de origem da alma (o conceito de alma não tem haver com qualquer sentido religioso ou espiritual, mas sim com o sentido de razão) e onde essa, tem conhecimento dos objetos os quais reconhece e visualiza no mundo sensível. Para Platão, os sentidos eram enganosos pois não davam qualquer precisão ao saber, dissemelhantemente da racionalidade. Com base nesse raciocínio, criou a alegoria da caverna em sua obra “A República“.

 

  • Um breve adendo sobre obra “A República”:

“A República”, escrita em dez livros, aborda a ideia de Estado Ideal para Platão, a Sofocracia. Para compreendermos a Cidade Ideal de Platão, precisamos entender que, para que esse modelo funcione perfeitamente, é necessário que todos que ela compõem façam seus devidos trabalhos. Para isso ser possível, ele (Platão) divide a sociedade em três classes: a primeira delas seria a de artesãos, que seriam responsabilizadas pela produção de bens materiais; a segunda seria a de guerreiros, responsáveis pela defesa dessa cidade contra possíveis males; a última classe a dos filósofos, que deveriam dirigir a cidade e zelar pela obediência das leis (Uma vez que apenas os que têm o conhecimento podem governar, para impedir que a incompetência e a corrupção tomassem o poder público). Esta divisão estaria embasada em suas aptidões. Platão, em “A República”, ainda compara a sociedade ao modelo anatômico do corpo humano, no qual como a cabeça governa todo o corpo, os filósofos, aqueles dotados da razão, deveriam liderar a cidade. Já aqueles que eram dotados da cólera, a qual Platão associava ao peito, seriam os guerreiros, os corajosos, que são responsáveis pela manutenção da paz. O terceiro grupo, guiados pelo desejo, que no corpo estariam representados pela região inferior do ventre, este grupo, os artesãos, deveriam controlar seus desejos para atingir a temperança, moderação, para tal feito, seria necessário canalizar seus desejos nas atividades de seus trabalhos.

Nesta obra, é possível perceber uma fragmentação da alma (com conceito racional) em: 

Logistikón, a faculdade racional, responsável pelos cálculos e pela lógica do raciocínio; 

Thymólides, onde habita a cólera e o lado impulsivo, responsável pela intensidade dos sentimentos, fazendo eles prevalecerem e é responsável também pelo furor e a veemência.

Epithymetikón, é o lado ambicioso, concupiscente, responsável pelos desejos.

Para a sociedade funcionar de maneira ideal, ainda era necessário que todas essas classes fossem felizes em uma mesma intensidade. Para que isso fosse possível deveria haver justiça, para tal, deveríamos retomar as coisas do marco zero. Para o filósofo, as famílias deveriam deixar de existir. Quando as crianças nascessem, elas deveriam ser deixadas por suas mãe e passariam a ser educadas pela cidade. Para ele, inibindo esses laços familiares, inibiria também o egoísmo e não as deixaria alheias aos maus hábitos.

A educação pelo Estado deveria ser feita a partir do seguinte critério: até os dez anos, as crianças receberiam educação quase que somente física; após os dezesseis, a música ficaria responsável por educar o espírito; quando atingissem os vinte anos, se submeteriam a um teste teórico-prático, que seria responsável pela divisão de classes. Os que não passassem seriam designados a classe dos artesãos. Aqueles que passassem, receberiam mais dez alunos até se submeterem a um novo teste. Para os aprovados nessa segunda fase, seria permitido a esses, que estudassem a filosofia e se dedicassem a estudar o mundo inteligível.

 

  • Contexto histórico da época:

A Grécia estava em seu Período Clássico, período o qual foi marcado por diversas invasões e conflitos que transformaram a Grécia em um verdadeiro campo de batalha. Embora tenham ocorrido esses conflitos, o Período Clássico é marcado como o auge da civilização grega. Nele, ocorreu a transformação do sistema político-administrativo de Atenas assim como o espalhamento do mesmo para outras cidades-estado. Houve as Guerras Médicas de 490 a.C  até 479 a.C, nesse conflito, os Persas tentaram invadir a Grécia a partir da dominação de colônias asiáticasTendo o conhecimento do território das penínsulas dos Balcãs, derrotaram os persas. Esse conflito incentivou a aliança de várias pólis gregas, como a Liga de Delos. 

Nesse período, é notável o governo de Péricles, ele foi responsável pelo desenvolvimento da Democracia ateniense e a criação de grandes números de obras públicas. Com a soberania de Atenas e sua ofensiva contra as outras cidades-estado, logo se criou, sob o comando dos espartanos, a Liga do Peloponeso. Assim, com o combate entre as ligas, a de liderança Ateniense contra a de Espartana, deu origem a Guerra do Peloponeso.

II- A Alegoria da Caverna:

No sétimo livro de “A República“, se apresenta um dos textos de filosofia mais debatidos do mundo o “Mito da Caverna“, que demonstra uma relação entre a sociedade e o conhecimento. Com ele, Platão explica a existência de dois mundos (Já mencionados anteriormente).

 

  • O mito:

O mito se passa em uma “morada subterrânea” no formato de uma caverna. Nessa caverna habitam homens, os quais  estão presos desde a infância, acorrentados pelo pescoço e pelas pernas, de tal forma que não podem mudar de lugar nem mexer suas cabeças para visualizar alguma coisa que não esteja na frente deles. Toda a fachada da caverna está aberta para a luz. Porém, a luz que chega a eles vem de uma fogueira situada mais distante, no alto. Entre os prisioneiros e o fogo, há um corredor cortado por uma mureta. Por esse caminho, passam pessoas com diversos tipos de objetos, alguns em formas de animais, outros em formas humanas e figuras de madeiras, pedras, além de outros materiais. Entre essas pessoas que passam pelo trajeto, algumas mantêm conversas. Tendo em vista que tudo o que conseguiam contemplar, ou seja, que seus sentidos captavam, era um conjunto de sombras e algumas vozes, eles acreditavam que aquilo era a única realidade. Glauco, interlocutor de Sócrates, após ter tido certeza de que os presos aceitaram apenas aquilo como verdadeiro, escuta a suposição de Sócrates afirmando que se um deles repentinamente se rebelasse e conseguisse escapar da caverna, em um primeiro momento se sentiria atordoado pelas luzes solares, porém gradualmente conseguiria progredir, visualizando não mais apenas as sombras mas as formas a partir do reflexo da água. Após ter se adaptado, poderia finalmente enxergar com seus próprios olhos a beleza do universo e definir as formas que o cercam. Quando, enfim contemplasse o sol, se sentiria na obrigação de compartilhar com os amigos sua inacreditável descoberta, a de que existiam muitas outras coisas além daquelas meras sombras. Contudo, esses não  o ouviriam, ele seria chamado de tolo e o intimidariam fazendo ameaças de morte.

 

  • Interpretação do mito aplicada ao contexto atual:

 

A Alegoria da caverna, vista acima, demonstra o estado de ignorância da maior parte da sociedade. Representada pelos prisioneiros, ela é enganada por pessoas que lhes mostram tudo o que conseguem ver, essas pessoas que passam pelo corredor, podem ser interpretadas por mídias, redes sociais e  todas as fontes de informação que podem ser influenciadas e fazem abordagens de forma superficial. As sombras podem ser entendidas pelas informações manipuladas. As correntes que aprisionam as pessoas seriam de forma alegórica, o comodismo e o desinteresse por buscar maiores saberes. Podemos analisar também o prisioneiro que se rebela como um intelectual que foge das condições aprisionadoras das “correntes” e busca por conhecimento. No mito é citado a seguinte colocação: 

“[…] se um deles repentinamente se rebelasse e conseguisse escapar da caverna, em um primeiro momento se sentiria atordoado pelas luzes solares, porém gradualmente conseguiria progredir, visualizando não mais apenas as sombras mas as formas a partir do reflexo da água. Após ter se adaptado, poderia finalmente enxergar com seus próprios olhos a beleza do universo…

Esse trecho alegórico pode ser compreendido como: um indivíduo que saísse de uma total alienação, e tivesse um incipiente contato com o conhecer verdadeiro, isso o incomodaria a princípio, porém com o tempo tentando entender melhor as coisas que o rodeiam, utilizaria do “reflexo da água”, ou seja, da interpretação e obras de outras pessoas, mais fundamentadas e mais sábias do que ele. De forma gradativa, aprendendo com essas pessoas mais experientes e que possuem sua própria análise do mundo real, poderia começar a fazê-las sozinho, assim como suas próprias obras abordando seu novo universo, o que é representado por: 

“[…] Após ter se adaptado, poderia finalmente enxergar com seus próprios olhos a beleza do universo…”

Após ter descoberto as maravilhas da realidade e superado seu estágio de estupidez, tenta alertar as pessoas em que convive para que possam compreender tudo a sua volta de maneira correta e assim contribuir para um todo. Porém, as pessoas as quais ele alerta, por estarem tão firmadas nas bases de uma realidade ilusória, não conseguem enxergar o quão grande e vasto as coisas podem ser e não compreendem a dimensão da vagueza na qual eles se firmam. 

“[…] Quando, enfim contemplasse o sol, se sentiria na obrigação de compartilhar com os amigos sua inacreditável descoberta, a de que existiam muitas outras coisas além daquelas meras sombras. Contudo, esses não  o ouviriam, ele seria chamado de tolo e o intimidariam fazendo ameaças de morte....”

Isso tudo que foi apresentado, ainda pode ser compreendido como, um sistema político que a partir de meios de divulgação de conhecimento manipulado, convencem os alienados (uma grande parcela da nossa sociedade) de que tudo aquilo que lhes é mostrado é verídico (se mostrando sofistas, sem qualquer compromisso com a veracidade dos fatos mas sim em atingir a massa popular), enquanto estão aprisionados por benefícios públicos muitas vezes camuflados por questões humanitárias e anti-discriminatórias e por conta desses benefícios gerarem um comodismo, de tal forma que, só conseguem enxergar a verdade que lhes é mostrada, por tanto, incapazes de conhecer por si mesmos. Até o momento que uma pequena minoria desse coletivo começaria a se questionar e a desejar aprender mais, se rebelando contra tudo isso e passando a ampliar seus conhecimentos. Inicialmente aprendendo por meio de pessoas mais fundamentadas e gradativamente, esse pequeno grupo começa a produzir ideias e conhecimentos próprios. Quando finalmente eles conhecerem e forem capazes de observar as coisas a partir das suas respectivas perspectivas do universo, buscarão informar os outros, mas esses, não quererão sob condição alguma, largar seus benefícios e o comodismo por eles gerado.

 

III-Conclusão:

 

Contudo, mesmo que o filósofo apresentado não seja muito bem visto no campo liberal/libertário – uma vez que expressa quase que de forma explícita alguns resquícios de coletivismo na sua teoria de organização social e política, apresentados de forma quase que conjunta, uma vez que todos os indivíduos têm que buscar, não a felicidade própria mas a felicidade da “República”, a qual é governada por um Rei Filósofo que escolhe o que cada pessoas deve fazer dentro da sociedade, anulando por completo a liberdade individual – podemos afirmar que o contexto do período clássico grego não possui tantas diferenças dos modelos atuais, uma vez que nosso setor político, assim como na época, se preocupa mais em atingir as massas populares do que com a veracidade dos fatos. E além disso, somos tão manipulados quanto os prisioneiros do mito supracitado o qual serviu de crítica a seu modelo político contemporâneo, temos também a mesma carência quanto ao conhecimento. Denota-se desta maneira, um prático comparativo entre períodos e uma possibilidade de refletir sobre nossa postura.