Resenha: The Headmaster Ritual (The Smiths) – a obra atacando o atraso educacional

Por Alexandre Neves Solórzano

Nos meados da década de 1970, Morrissey, vocalista dos Smiths, banda britânica que recheou os anos 1980, cursava o seu segundo grau em alguma escola de Manchester (RU). Os ingleses parecem compadecer-se com aqueles que percebem uma certa violação, sentimento que se torna legítimo quando exposto por quem alega a necessidade de ser e sentir-se “livre”, de qualquer forma, mas “livre” do que parece ser uma corrente durantes anos a fio. Um sistema educacional atrasado educa seres humanos para outra época, um momento já não condizente com a atual realidade. Essa situação agride jovens de países desenvolvidos e subdesenvolvidos, o que descarta apenas o fator econômico das nações.

A canção que trago ao público é do álbum Meat Is Murder, de 1985, e é um tanto quanto hiperbolizada, com associações bem loucas entre um presídio e uma escola. Fantasmas bélicos comandam as escolas de Manchester é a frase que abre a canção, e dá para extrair daí a revolta do já adulto Morrissey, que tem o seu momento de escola como um dos piores da sua vida. Você já se sentiu assim? Isso nos leva a pensar sobre a eficiência de algo que nega virtudes, que vai na contramão do individualismo natural de cada ser humano. Foca-se, novamente, na imagem de uma liberdade intelectual furtada, de um coletivismo enfiado goela abaixo em quem passa pelo sistema, já demonstrados na resenha do álbum The Wall, da banda Pink Floyd, também britânica.

Ao longo da canção, tem-se uma rotina de agressões e abusos sofridos pelo eu-lírico, como cotoveladas, xingamentos e um tratamento semelhante ao de um quartel. O professor lidera as tropas, com inveja da juventude, o mesmo terno velho desde 1962 evidencia uma postura autoritária por parte dos profissionais em questão. A crítica vai de um relato pessoal a um cenário repleto de detalhes que possibilitam e incentivam tratamentos assim: a simples obrigação de aprender matérias que não são de seu interesse, como fosse um bebê incapaz, é, em si, uma atitude autoritária. Não é precisa levar umas porradas para entender que você não está num lugar por vontade própria, tampouco se esse lugar é um ambiente hostil, como o retratado na canção. O apelo do garoto que deseja ir para casa não poderia exemplificar melhor o que é sentir a limitação na pele, mesmo que não se entenda isso.

Como conclusão, vale indicar toda a obra dos Smiths, que possui um abrangente conteúdo existencialista, crítico-social e também focado nas questões da juventude. Eu quero ir para casa, eu não quero ficar aqui é a emblemática frase dita tão fortemente pelo vocalista, que pode ser remetida a todos os ambientes onde o sistema de ensino carece de uma renovação. Essa parte que nos toca, a educação, é o foco central de qualquer pudor pelo desenvolvimento e pela liberdade. Morrissey exagerara tanto assim ao associar casos de violência à rotina escolar? Limitar conhecimento em prol de uma suposta disciplina não pode ser tido como uma violência? Cabe a nós interpretarmos as obras que estão sendo indicadas por aqui e construirmos uma linha lógica para averiguar a veracidade dessas críticas. Ouça a canção e tire suas próprias conclusões!

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