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O Impedimento (Impeachment), dúvidas rápidas.

Dúvidas Gerais:

Onde é que está previsto o Impedimento?
Em tese, o Impedimento será um corolário lógico da Democracia, do Estado de Direito, da República, etc., contudo, nosso Constituinte, já prevendo a falta de caráter ou eventual burrice das futuras gerações o estabeleceu no art. 85 da Constituição da República. Há ainda a Lei 1.079/50 que foi recepciona.

Impedimento é antidemocrático?
Não, nunca foi. Tentar obstá-lo é que pode ser, pois significa que se está querendo negar a Constituição da República e usurpar a soberania popular.

Mas o Presidente não é eleito pelo voto? Não seria arbitrário retirá-lo do poder?
Não. Esse discurso é feito apenas para enganar a população. A soberania popular significa não apenas a Eleição, mas também a Destituição do Governo.

Impedimento não é Golpe?
Não, afirmar tal coisa ou é desonestidade ou insanidade. O Impedimento está previsto em nossa Constituição.

Então como é que o Governo e seus aliados afirmam que é ilegítimo retirar os eleitos pelo voto?
Simples, trata-se de mais uma mentira. Um ardil para enganar a população. Democracia não é Cleptocracia. Eleição não é passe livre para o banditismo.

Impedimento é ilegal?
Não, nunca foi. Ao contrário, afirmar sua ilegalidade é que é um ato ilícito, pois se está negando a supremacia da Constituição da República.

Quais são os motivos que autorizam o Impedimento?
Todo e qualquer ato contra a Constituição da República.
Art. 85 da Constituição da República. Art. 4º da Lei 1.079/50.

Não é necessário que fosse enquadrado num dos atos previstos no art. 85 da Constituição da República ou na Lei 1.079/50?
Não, o rol exposto nessas normas é meramente exemplificativo. Tanto a Constituição da República quanto a Lei 1.079/50 deixam claro tal fato.

O Impedimento é uma condenação criminal?
Não. Tem-se tal entendimento em decorrência da falta de técnica ao se estabelecer a conduta como “crime de responsabilidade”.

Não se dá em decorrência de um Crime de Responsabilidade?
Sim, se dá. Contudo, “Crime de Responsabilidade” não é um crime.

Se não é um crime, por que tem esse nome?
Nosso direito é absolutamente repleto de equívocos terminológicos. Um “Ato de Improbidade” não é um mero “ato” ou uma mera “Improbidade” é um instituto específico.
Caso se tenha dificuldade, leia-se com hifens: crime-de-responsabilidade ou ato-de-improbidade.

O Impedimento é um julgamento criminal?
Não, é um julgamento político.

Isso é dito na Lei ou na Constituição?
Não.

Então como eu posso ter certeza que é um julgamento político?
Para isso que serve a Ciência do Direito e existem Juristas, ou ao menos os que realmente fazem jus ao nome. Contudo, temos muitos (e até mesmo famosos) que apesar da pompa não são mais que meros “peões” empertigados.

Dúvidas sobre o Procedimento:

Quem pode fazer o Pedido de Impedimento?
Qualquer cidadão, isto é, qualquer pessoa em pleno gozo de seus Direitos Políticos pode apresenta-lo à mesa da Câmara dos Deputados.
Art. 14 da Lei 1.079/50.

Como se deve apresentar o Pedido à Câmara dos Deputados?
A denúncia deve apenas ser assinada pelo denunciante, com firma reconhecida, juntando-se a ela os documentos que demonstrem a acusação ou o declarando a impossibilidade de fazê-lo.
Art. 15 da Lei 1.079/50.

Uma vez apresentada a denúncia o que acontece?
É lida na próxima sessão e despachada para uma comissão eleita. A Comissão dará um parecer sobre o pedido que será levado à votação. Se não for aceito pela Câmara, será arquivado. Se for aceito, passará à instrução, enviando-se cópia ao acusado para que apresente defesa, bem como realizada as diligências necessárias, após será então submetida à votação para a Decretação ou não da Acusação.
(Art. 19 a 22 da Lei 1.079/50)

Decretada a Acusação pela Câmara dos Deputados, e agora?
Uma vez Decretada a Acusação, dentre outras coisas, será deliberado se se trata de um crime comum ou de um crime de responsabilidade, se for um crime comum, ou um crime propriamente dito, será enviado para o Supremo Tribunal Federal para Julgamento, se for o caso de um crime de responsabilidade, será enviado para o Senado Federal.

Qual os números de Deputados Federais devem votar para Decretação da Acusação?

A maioria simples da Câmara dos Deputados, art. 81 da Lei 1.079/50. O que, atualmente, equivale à 257 deputados.

O Presidente da República é afastado?
Sim, uma vez Decretada a Acusação pela Câmara dos Deputados, dentre outras coisas há afastamento imediato do cargo e da metade do subsídio.
Art. 22, §5º da Lei 1.079/50

Quem Julgará o Presidente da República?
O Senado Federal, nesse caso presidido pelo Presidente do Supremo Tribunal Federal.

Como se dá o Julgamento do Presidente da República?
Instruí-se o processo, há debates entre uma comissão acusadora e o acusado ou seus advogados. Após, vai-se à votação. Sendo o Presidente absolvido ou condenado. (Art. 24 a 33 da Lei 1.079/50)

Qual o número de Senadores que deve votar favoravelmente à condenação para que ela ocorra?
Apenas haverá a condenação com o voto de 2/3 dos Senado, art. 80, parágrafo único, da Lei 1.079/50. Atualmente isso equivale à 54 Senadores.

O que acontece se o Presidente da República for condenado?
Será imediatamente destituído do cargo e perderá os direitos políticos, não podendo ocupar qualquer cargo público pelo período escolhido pelo Senado. Se for contatada a existência de crime, encaminha-se ao Supremo Tribunal Federal para julgamento.

Bônus:

É apenas nos Crimes de Responsabilidade e que há uma confusão terminológica?
Não, em todos os campos e normas jurídicas. Não somos nenhum primor de técnica. Por exemplo, no mesmo sentido a Lei de Improbidade Administrativa afirma que contém “Penas”, contudo isso é impossível, pois não é uma lei penal. Ou ainda, no Brasil usamos as Teorias da Proporcionalidade e da Razoabilidade como sinônimos, normalmente para nos referirmos a uma “utilização” da Teoria da Razoabilidade, são teorias bastante diversas, feitas em ordenamentos jurídicos distintos e aplicáveis em situações distintas. Um caso clássico é o termo Jurisprudência, que no Brasil é utilizado para designar “Costume Judiciário”, ou seja, as reiteradas decisões das cortes num mesmo sentido, que tem um valor análogo ao “Costume Administrativo” ou “Costume Judicial” na Teoria do Direito. O termo, em verdade, refere-se à Ciência do Direito.

Para que servem Juristas?
Juristas são cientistas do Direito. Se você quiser chamar um ilícito de “quiabo” ou um dano de “unicórnio” isso apenas tornará mais difícil o trabalho, contudo é obrigação de qualquer Jurista saber Direito suficiente para identificar e dizer o que é aquilo. Como ocorre em todas as outras profissões. Se você chamar um derrame de “cachorro” um médico ainda poderá dizer do que se trata, o mesmo um engenheiro, caso resolva chamar uma ponte de “cabelo”.

Mas no Direito não tem que seguir apenas a Lei?
Não. A Lei é uma pequena parte do Direito. Uma lei interpretada isoladamente do Sistema ou da Ciência do Direito, na melhor das hipóteses, estará apenas errada, mas no mais das vezes é catastrófica mesmo.

Então por que temos tantas Lei?
Cultura. Não temos uma cultura de usar o Direito como Ciência, isso dá muito trabalho. Essa cultura decorre da falta de responsabilidade. É praticamente, para não dizer totalmente, impossível responsabilizar alguém por tomar decisões irracionais ou criar leis obtusas. E é interessante que assim permanece, apenas o cidadão comum seria beneficiado com o uso da Ciência do Direito, enquanto todo agente público estaria à mercê de ser punido por incompetência. Então, seguindo a lei, ainda que isso contrarie todo o Direito é vantajoso.

Mas não vivemos num Estado de Direito?
Sim, precisamente. Vivemos num Estado de Direito, não num Estado de Justiça, não num Estado Social, não num Estado Legalista. Todo poder é submisso à uma Ciência, o Direito.

O que demonstra que o Impedimento é um Processo e um Julgamento Político e não Judicial?
Em primeiro lugar, o Impedimento não existe apenas aqui, mas trata-se de um instituto comum na Democracia, ao lado de outros como o Recall e a Dessuetude.

Em segundo, a Responsabilidade é Política, independemente de qualquer responsabilidade judicial, da qual é totalmente independente. Até mesmo por isso não é levado à cabo pelo Judiciário (técnico), mas pelo Legislativo (político).

O terceiro é que apenas dessa forma tem-se a coerência constitucional, um preceito tão relevante quanto a Supremacia Constitucional.

O quarto é o fato de que o mesmo é autorizado por qualquer ato contrário à Constituição, não necessariamente às normas expressamente previstas.

O quinto é que o mesmo se adequa à Estrutura Política de nosso Estado, os representantes do povo recebem a denúncia (Câmara dos Deputados) e os representantes dos Estados-Membros dão o veredito (Senado Federal).

O sexto é que, como nas votações políticas não há a necessidade de fundamento ou justificativa para a deliberação, cada um apenas diz “Sim” ou “Não”.

O sétimo se dá pelo fato de que sequer há a necessidade de coerência com as provas apresentadas.

Oitavo, nenhuma das sanções é cível ou criminal, mas apenas políticas.

Nono, o requisito subjetivo do denunciante é gozo de Direitos Políticos, sendo, como no caso da Ação Popular, um ato de cidadania.

Décimo, se for caso de crime comum, isto é, responsabilidade criminal, os autos vão para o Supremo Tribunal Federal, não para o Senado. (Art. 22, §6º da Lei 1.079/50).

Je Suis Julio Lins

Recentemente um amigo, Julio Lins, um dos membros do Clube Ajuricaba fez o vídeo abaixo no qual faz pesadas críticas ao ex-presidente Lula.

De início, eu mesmo apontei minha discordância sobre alguns pontos do discurso. Como era de se esperar, com as dezenas de milhares de visualizações e compartilhamentos que o vídeo recebeu, surgiram então diversas críticas.

Em relação àquelas advindas de simpatizantes ao Comunismo, Fascismo, Nazismo ou qualquer ideologia totalitária, particularmente não dei muita importância, afinal, a estes entendo que devemos exercer a tolerância que impõe a vida em sociedade, mesmo quando, por falta de caráter ou por pura ignorância, se defende o arbítrio, o cerceamento da liberdade, a lobotomização política e qualquer outra sorte de condição necessária para a implementação do “paraíso terreno” que seja “prometido” por suas “religiões laicas”. Tiranos ou coitados que não merecem mais atenção do que a necessária para verificar se suas coleiras estão bem firmes.

Contudo, no meio das críticas de alucinados em geral (financiados ou não para função de atacar os críticos), fiquei impressionado ao perceber que algumas críticas partiam de pessoas que detinham também algum tirocínio. Amigos e colegas pelos quais nutro algum respeito intelectual, ainda que discorde de seus posicionamentos.

Mais que isso, sendo tantas as críticas de pessoas tão preparadas comecei a realmente me questionar. Será que o Julio não teria passado do ponto? Será que efetivamente seus críticos não estavam certos. Será que mesmo eu em minhas primeiras críticas não tinha razão?

Passada a primeira impressão com estas, bem como com o tempo suficiente para que eu pudesse enfim distinguir minha admiração pessoal e amizade do conteúdo dos críticos acabei me dando conta o quanto eu estava equivocado.

Equivocado não em relação ao meu apoio, tardio sim, mas irrestrito, ao Julio, o qual, inicialmente, atribuí apenas à prevalência da amizade. Estava errado sim por minhas críticas iniciais. E foi o equivocado lugar-comum que notei nas críticas feitas ao seu discurso, que serviu, à moda dos existencialistas, para revelar minhas próprias falhas.

Algumas das críticas que mais me chamaram a atenção foram aquelas que diziam que deveria haver “Respeito” ao ex-presidente e que, se alguma providência deveria ser adotada, era por meio do voto. A segunda, que atribuía ao mesmo um “Oportunismo” por utilizar-se da situação para fazer tais críticas, no intuito óbvio de “promoção pessoal”.

Bem, com já havia percebido que eu mesmo fizera críticas iniciais lastreadas num vergonhoso senso comum. Busquei então analisar a questão na área de minha formação. O Direito, mais especificamente, na disciplina que recentemente o Clube Ajuricaba me convidou para realizar uma palestra: Teoria do Estado.

Assim, em primeiro lugar, vamos à alguns esclarecimentos.

Em relação ao Comunismo, Socialismo e o Nacional Socialismo importa destacar desde logo que a tolerância aos mesmo se faz não pelo que representam, mas sim pela profunda arraigada convicção liberal na importância liberdade de expressão. Inclusive para os discursos de ódio que são proferidos por estas ideologias.

Uma fidalguia que absolutamente nenhuma dessas ideologia teria comigo ou com qualquer outro opositor, haja vista que defendem uma verdade única. Isto é, são modelos de Estado que extingue e persegue todos aqueles que obstaculizem seu desenvolvimento ou combatam seus efeitos.

Não por outro motivo que as modificações jurídicas feitas por esses sistemas ao chegar ao poder sempre envolvem a censura, a perseguição, a restrição das liberdade individuais, enfim todo aquele afeto demonstrando pelo Comunismo e pelo Nazismo em seus Gulags e Campos de Concentração.

Assim, que fique bem claro, a discussão que me proponho não é embrenhada nas convicções dessas pessoas, pois, felizmente, ao contrário do que muito se diz, a República Federativa do Brasil ainda é, e sempre será, um Estado Liberal.

Claro que podemos modificar isto, seja por convicção seja por ignorância e omissão, porém, se o fizermos, teremos que derrogar não apenas a Constituição da República como extinguir o próprio Estado atual, colocando outro em seu lugar. Assim, com todas as desculpas possíveis, as pretensões de Estado Social ou Socialdemocracia são, na melhor das hipóteses, enganos bastante rudimentares, venham de quem vierem. E, o que é pior, se oriundas de pessoas que realmente se deram ao trabalho de dominar a matéria coloca em cheque sua própria honestidade intelectual.

Em suma, um Estado de Direito, um Estado Constitucional e um Estado Democrático são subespécies de um Estado Liberal, ainda que as demais normas, Constitucionais, inclusive, fossem uma cópia das propostas do Manifesto Comunista ou de Mein Kampf, ou dos manuais da Inquisição.

Seja como for, estabelecemos um Estado Liberal. Isso se dá pelo fato que são estas estruturas que delimitar o campo no qual as leis, a Constituição e as demais normas podem se desenvolver, não o contrário.

Obviamente, leis podem ser impostas apenas pela força ou toleradas pela ignorância, contudo, tendo em vista que Teoria Geral do Estado é uma Ciência, continuarão sendo inválidas e equivocadas, pois a Ciência não se curva à Autoridade. Queimem quantos Giordanos Brunos quiserem, ele continuará com a razão e se seus algozes um dia quiserem sair do seu limbo terão que, necessariamente, se curvar.

Assim, como concordarão necessariamente os comunistas da Socialdemocracia (afinal, sem essa concordância não haveria razão para se afastarem de seus coleguinhas mais propensos à violência) a discussão se dará necessariamente, neste mundo em que vivemos, do qual destaco um aspecto simples: O Estado de Direito.

Não pretendo aqui desenvolver este instituto que muitos acham quem está apenas de enfeite no art. 1º da Constituição da República, afinal, sobre uma norma de tamanha “desimportância” escreveu-se e escreve-se nada mais que verdadeiros tratados sem que se tenha tido a petulância de sequer imaginar que a matéria já foi esgotada, exceto, é claro, nas mesas de bar, filas de supermercado e outros centros de conhecimento que dispensam o estudo.

Minha pretensão é muito menor, de uma de suas facetas mais simples e comezinhas: o uso da Razão.

Racionalmente então abordemos o argumento do “Respeito”.

Em primeiro lugar, certo é que isso é algo inconcebível frente ao artigo primeiro da Constituição da República, em especial de seu parágrafo único. Pois não se está dizendo, nem se poderia dizer no mais alucinado dos cenários jurídicos, que qualquer indivíduo deve respeito ao Estado. Deve, quando muito, fidelidade. Não respeito.

Até mesmo porque o Estado é uma personificação de poderes, um ente abstrato que existe apenas no universo jurídico e não uma criatura que está ai andando pelo mundo, por isso, seria ilógico e bastante infantil pretender que se respeitasse as entidades de nossa imaginação que concordamos em reconhecer para tornar a convivência mais fácil.

Em relação às Autoridades, outro ponto interessante, a única que existe é o Estado. Nenhum outro órgão tem Autoridade, pois, esta é emprestada pelos cidadãos ao Estado, o qual, obviamente não pode dispor do que não é seu. O que existe é que o Estado para o cumprimento dos encargos para os quais é criado divide-se em órgãos.

Tais órgãos não são o Estado, mas apenas agem em seu nome. E, contam com o apoio da Autoridade do Estado, para o exercício de suas funções. Note-se: são os órgãos, não seus ocupantes que tem a seu favor a autoridade do Estado.

Não por outro motivo que se o Estado for destruído, nem seus órgãos nem seus ocupantes terão qualquer tipo de prerrogativa, pois estas apenas existem em virtude da autorização concedida pelo Estado para que ajam em seu nome e função.

Assim, em resumo, uma Autoridade, nada mais é que do que aquele que está autorizado pelo Estado a exercer as atribuições de um órgão.

Por tal motivo, salvo em patologias mentais graves ou a confusão entre o Estado e qualquer entidade mística, não há falar em privilégio às Autoridades. Em verdade, é justamente o contrário, o que existe é uma série de obrigações e atribuições.

Ninguém é obrigado a exercer cargos públicos, pode ser que, por força da República, eventualmente seja compelido a prestar serviços temporários, mas não a trabalhar para o Estado.

Assim sendo, toda e qualquer pessoa que resolve candidatar-se ao exercício de um cargo público o faz de livre e espontânea vontade, inclusive tendo que ser vitoriosa em uma disputa intelectual ou de popularidade para fazê-lo. Então, é por sua própria escolha que decide trabalhar em nome do Estado cumprindo os encargos que deste se espera e, claro, sendo remunerada por isso.

Tem-se nisso dois elementos, as condições do trabalho e os motivos de existência do mesmo. Os serviços específicos dos órgãos já estão definidos. Como também está a fonte de renda: todos os valores que serão pagos tem origem nos tributos recolhidos dos outros cidadãos.

Tais fatos importam em duas sortes de obrigação essencial: você concordou com as condições E está sendo pago para o seu exercício. Pronto, apenas isso. Todos os demais atributos são do cargo, não seus. Sendo, por conseguinte, injusta a mera cognição de que teria algum direito a qualquer outra coisa. Sua contrapartida, como de todos os trabalhos, é a remuneração. Nada mais, nada menos.

Assim, por que sua atuação é em nome do Estado que apenas age e poderia agir em nome dos cidadãos, e também por que é o Estado que, recebendo dos cidadãos, paga seu sustento, podemos concluir que absolutamente nenhum agente público pode arrogar-se como representante do povo.

Um Agente Público representa o Estado, o Estado que por sua vez representa o povo. Afinal, é o único motivo de sua criação, existência e sustento. Sendo um erro, portanto, confundir o método como o Estado valida a escolha daqueles que cumprirão os encargos de seus órgãos com a efetiva representação popular.
Decorre disso ainda o entendimento de que um Agente Público é um empregado de um servo da população sendo, não uma, mas sim duplamente submisso ao interesse popular.

Porém, sejamos arrojados e incorporemos o espírito do tempo que busca abandonar a Técnica e a Razão e suponhamos que não é assim. Por algum motivo os Agente Públicos são dotados de uma condição sobre-humana. Talvez, quem sabe, o próprio deus tenha decido à terra e criado o cargo em questão, não por uma necessidade, mas por que o quis. Tendo em vista que o cargo não está atrelado à sua existência, ainda no caso de intervenção divina, teríamos que o poder e a Autoridade pertenceriam ao órgão, não ao agente.

Argumentarão: isso não dá direito a ninguém de ataca-los pessoalmente, em sua imagem. Afinal, por mais que sejam realmente sejam empregados do nosso servo, são pessoas como todas as outras.

Sim, é uma verdade. Porém, não em sua totalidade. Trata-se apenas de um simples reflexo da questão que permeia a espeça camada da ignorância coletiva.

Não entrarei aqui em todos os aspectos eleitorais, contudo, apenas numa espécie em particular. A questão do Sistemas Eleitorais, especificamente, nos critérios de escolha, a Identidade e a Representatividade.

De maneira grosseira diz-se que a Representatividade é atendida quando a proporção dos interesses dos eleitores serve de espelho para formação do parlamento. Assim sendo, aqueles partidos que receberem mais votos terão mais cadeiras porque (se fôssemos um país sério, evidentemente) um maior número de cidadãos concorda com seus posicionamentos ideológicos. Haverá, por conseguinte, uma maior representação dos valores da sociedade no parlamento.

Já no caso da Identidade o que há não é uma escolha por meio dos valores dos partidos, mas sim pelos atributos pessoais do candidato com os quais se identifica o eleitor, razão pela qual vencerá aquele candidato que possuir a maior parte de cidadãos se identificando com o mesmo, seja por qual motivo for, de modo que o Parlamento ou os Cargos serão ocupados por pessoas que tem uma identificação com os eleitores, ainda que isso signifique o detrimento da representatividade social.

Como se intui, ou se espera, a Câmara dos Deputados, as Assembleias Legislativas e as Câmaras de Vereadores são escolhidas por um critério de Representatividade. Já os cargos de Chefe do Executivo e o Senado, não. Nestes o que há é o critério da Identidade. As eleições são diretas e, por conseguinte, além de votar nas propostas você estará SEMPRE votando na pessoa. Uma das razões disso é que os cargos de eleição direta tendem a ter um poder maior sozinho, daí que um maluco apenas causará muito mais danos do que quando o maluco se encontra cercado de pessoas lúcidas.

Portanto, todas as vezes que alguém se candidata ao exercício de um cargo eletivo estará sim submetendo também as suas características e conduta pessoais ao crivo de seus eleitores, sendo, por esta razão então passível de receber duras críticas, ainda que de natureza pessoal. A alternativa é simples, não se candidate e goze de sua intimidade, do contrário, suporte o ônus de sua deliberação livre e espontânea de se submeter pessoalmente à opinião pública.

Mais ainda quando sequer você não mais é um servidor público e goza de alguma regalia, ainda que inevitável, do cargo que ocupou. Como, no caso, é a capacidade lobby dos ex-presidentes e demais agentes políticos.

Portanto, com a devida licença, se se quer falar de Respeito em relação ao Estado (?!), o façamos então de maneira correta. Não como capivaras, mas como seres pensantes que desenvolveram diversas ciências para analisar o tema. E, em relação à estas, o Respeito é devido aos cidadãos, não ao Estado, muito menos aos seus empregados, sendo ainda uma condição prévia aceita por todos aqueles que se candidatam à eleição direta a exposição e o ataque a sua vida e sua pessoa.

Quanto ao Oportunismo, concordo. Se trata do aproveitamento de uma oportunidade. Contudo, guardas as devidas proporções, assim não o é em absolutamente todas as crises? O que falar do teóricos do Iluminismo, como Voltaire, Locke, Rousseau, Montesquieu? A eles se dirá que eram “Oportunistas” ante a derrocada da Idade Média? E, se é esse o caso, qual o problema? A repercussão das ideias e da fala? Desde quando honestidade intelectual virou sinônimo de ostracismo?

Em absolutamente todos os momentos de crise que já existiram na História, quando finalmente se percebe o abismo que nos ameaça engolir é que, para o bem ou para mal, se adota uma postura distinta, e aí então aqueles que eram minoritários passam a ter destaque, sendo que dentre todos esses, alguns irão ter suas ideias ainda mais difundidas, de maneira que serão as vozes do novo tempo até que, eventualmente, a realidade imponha novas mudanças.

Portanto, caso haja uma capacidade mental para tanto se perceberá que o que chama atenção não é o fato de uma nova voz se erguer em oposição às ideias antes homogêneas, mas sim o fato de que as ideias que antes eram fortes o suficiente para impedir o surgimento de novas vozes tenham sido enfraquecidas ao pontos de que outros discursos se tornem populares.

Mais grave ainda é o fato de que, nos últimos tempos, a legitimidade e os aplausos estão sendo conferidos àqueles que conseguem da forma mais penetrante possível criticar o atual governo. Isso sim deveria causar preocupação aos que exercem o poder, pois significa que a raiva e o descontentamento com os nossos representantes têm se tornados tão aguados que, conforme o próprio Julio denuncia em seu vídeo, está sendo capaz de unir opositores ferrenhos e inimigos capitais.

Os sentimentos de nojo, desprezo, ojeriza, cansaço e saturação já são tão profundos que ainda que os indivíduos cheguem ao cúmulo de se odiar em decorrência do antagonismo brutal de suas convicções, abandonam momentaneamente suas diferenças e passam a dar as mãos, aceitando marchar lado a lado contra o mal que ameaça a todos, nossa Presidente, nosso ex-Presidente, o partido que lhes deu suporte e as convicções ideológicas que os criaram.