Arquivo da tag: Empresa Júnior

Empresa Júnior: Um pequeno salto para o estudante, um grande salto para a sociedade.

Por João Lucas Castro Alves

Eu tenho um sonho. Um sonho de um país mais justo, mais honesto, com mais oportunidades, mais livre! Ao questionarmos os jovens se eles compartilham desse mesmo sonho, claramente a grande maioria concordará, porém, achará um tanto utópico ou questionará como podemos conseguir alcançar esse exemplo de pais.

Certamente ainda não podemos conhecer todos os caminhos, mas com certeza um dos quais os jovens universitários devem seguir para chegar o mais próximo desse sonho é o MEJ. O Movimento Empresa Júnior nasceu ainda na década de 60 na França e chegou no Brasil em 1987 contando com a criação da primeira Empresa Júnior no país apenas em 1989. Contudo, um ano após já haviam 7, o que possibilitou a criação da FEJESP (Federação de Empresas Juniores de São Paulo, primeira das Américas) e atualmente contamos com mais de 27 mil empresários juniores espalhados por mais de 400 empresas juniores movimentando cerca de 13 milhões de reais/ano!

Esses números são gigantes assim como o empenho e garra de cada um dos estudantes que fazem parte do movimento, que trabalham movidos não por dinheiro, mas por um ideal; não por reconhecimento mas por um propósito e por uma responsabilidade que é disseminada através da missão do Movimento Empresa Júnior: Formar, por meio da vivencia empresarial, empreendedores comprometidos e capazes de transformar o Brasil.

E é essa transformação que queremos e precisamos: fazer o jovem universitário assimilar que empreender é gerar valor não somente para ele mas para toda a sociedade; que criar uma empresa não é criar uma fonte de geração de renda para si mas para toda uma comunidade ao seu redor e que essa decisão precisa, acima de tudo, de disciplina! E o MEJ nos ensina isso tudo. Mesmo nós não sendo alunos, mas sim membros; mesmo não tendo aulas teóricas nem provas, pois todo seu aprendizado e avaliação se tem na prática com desafios e experiências reais e diárias. Desafios que fazem o estudante assimilar a importância de trabalhar sempre com honestidade e dedicação, buscando sempre uma constante troca de experiências e assim tornando o ambiente de trabalho mais colaborativo e eficiente.

Quando falamos em ambiente de trabalho, devemos salientar que tudo é feito de forma voluntária e dentro da universidade, possibilitando o universitário a conectar o conhecimento técnico adquirido dentro de sala com o que o mercado exige.

Toda essa vivência e experiência não deve ser tão somente entendida como um processo de formação empreendedores, mas sim como um processo de formação de líderes, e para você liderar outros, primeiro você tem de liderar a si mesmo. Então qual seria o mais marcante princípio para a criação de líderes? É você criar um ambiente que cria uma oportunidade de aprendizado em que as pessoas, desde muito jovens, vão aprender a carregar a si próprias, no sentido de “eu sou o responsável de fornecer o suporte a mim mesmo”.

Isso será importante mesmo se ao olharmos a longo prazo e estes jovens não terem montado uma empresa. O que é um empreendedor senão uma pessoa que empreende a si próprio, a sua carreira, o seu relacionamento no trabalho, a formação das suas redes?

Pra fazer isso, essa coisa básica, formar um líder de si mesmo, temos que mudar completamente o Brasil. O Brasil é o país com uma das legislações trabalhistas mais rígidas do mundo. Somada a esta suposta proteção, idealizada para uma sociedade da década de 1940, nós a combinamos com nosso modelo de funcionalismo público, que do ponto de vista estrutural e das ações conjunturais de sua gestão, exige menos responsabilidades e menos trabalho que do funcionário da iniciativa privada, além de possuir a estabilidade (infelizmente confundida com comodismo) e melhor remuneração.

Não é necessário ser um especialista em ciências econômicas para entender que pessoas reagem a incentivos. Certamente, as regras do jogo influenciam em nosso comportamento. No momento em que fica notório para as pessoas que é mais vantajoso migrar para o serviço público ao invés de optar pela iniciativa privada (ainda que a pessoa não tenha a menor vocação para o serviço público), o comportamento dos universitários tende a se ajustar aos ditames do sistema.

O concurso passa, então, a ser a escolha racional daqueles em “fim da carreira de estudante na universidade”, independentemente do curso em que se encontra matriculado. Um número notável de universitários que poderiam estar investindo seu tempo com inovação tecnológica, gerando novos empregos e colaborando em tirar nosso país da crise, assumindo um verdadeiro papel de faroeste na querela do estatismo à brasileira, são seduzidos a dedicar boas horas de suas vidas estudando para concursos públicos, adequando suas mentes não para as demandas das pessoas ao seu redor, mas para as bancas examinadoras de concurso, e após lograr êxito no processo de seleção, esquecer de tudo que aprendeu e exercer um trabalho muitas vezes limitado.

Não pela vocação, mas pela segurança, pela vontade de atender ao “sonho brasileiro”, muitos universitários fazem essa escolha por saber que ganharão mais fazendo menos. Infelizmente, não podemos negar que essa escolha é racional para o indivíduo. Vivemos, afinal de contas, em um “individualismo de bem-estar social”, em que as pessoas usam dos benefícios que o Estado lhes concede, sendo intransigentes de abrir mão dos mesmos.

Quando criamos esse ambiente, ele existe e funciona em detrimento de todos os outros, e principalmente do ambiente de empreendedorismo, por que o líder é um pessoa que corre riscos. O líder é um construtor de estratégias. Ao adequar uma pessoa a uma banca examinadora de concursos, o potencial que ela poderia ter elaborando estratégias para um empreendimento de sucesso é desperdiçado. Atualmente, o Brasil talvez não tenha estratégias por que não há pessoas suficientemente qualificadas para assumir riscos e tomar decisões arriscadas. O Movimento Empresa Júnior talvez seja uma das poucas oportunidades que tenhamos para aprimorar essa habilidade, da qual nosso país tanto carece.

Referências:

MANKIW, N. Gregory. Princípios de microeconomia / N. Gregory Mankiw; tradução Allan Vidigal Hastings, Eliste Paes e Lima, Ez2 Translate, revisão técnica Manuel José Nunes Pinto. – São Paulo: Cengage Learning, 2016, p. 7.

MARQUES, Alessandro, PIMENTEL, Daniel, DIDIER JR, Fredie e CAMARGO, João Vitor. A Lei das Empresas Juniores. Editora JusPodivm.

Manual do Líder do Movimento Empresa Júnior. Disponível em: <http://www.brasiljunior.org.br/conhecimento/noticias/ebook-manual-do-lider-do-movimento-empresa-junior> Acesso em 29 de janeiro de 2017.

PAIM, Antonio. A Querela do Estatismo/ Antonio Paim; 2ª edição revista e ampliada. Brasília : Senado Federal, Secretaria Especial de Editoração e Publicação. Data de publicação: 1998.Disponível em: <http://institutodehumanidades.com.br/arquivos/quereela%20do%20estatismo.pdf> Acesso em 29 de janeiro de 2017.

https://www.youtube.com/watch?v=1xvisdzwrso&t=31s